Notícia Todo Dia NTD
Mundo

“Morte anunciada”: Nobel da Paz definha em prisão iraniana após infarto e sem acesso a tratamento

01/05/2026 18:37 Por Redação NTD

Família denuncia negligência médica, perda drástica de peso e alerta para risco iminente de morte de ativista

É um retrato que choca e revolta: a vencedora do Prêmio Nobel da Paz, Narges Mohammad, estaria sendo levada a uma “morte anunciada” dentro de uma prisão iraniana. Após sofrer um infarto e perder cerca de 20 quilos, a ativista segue sem atendimento médico adequado, segundo denúncias de familiares e entidades de direitos humanos. O quadro, descrito como uma lenta deterioração física e psicológica, expõe o que parentes classificam como abandono deliberado por parte das autoridades; uma situação que, segundo eles, se agrava a cada dia e pode ter desfecho fatal a qualquer momento. O caso tem provocado indignação internacional e reacende questionamentos sobre o tratamento dado a dissidentes no país. 

De acordo com relatos divulgados por sua família e por organizações ligadas à ativista, Narges apresenta sintomas persistentes, como dores no peito, pressão arterial elevada, crises de fraqueza e episódios recorrentes de mal-estar. Mesmo após a crise cardíaca, ela não foi encaminhada a um hospital com estrutura adequada para diagnóstico e acompanhamento, permanecendo sob cuidados considerados insuficientes. O pedido de licença médica para tratamento fora da prisão foi negado pelas autoridades, que sustentam haver condições locais para atendê-la; argumento amplamente contestado por médicos independentes e por defensores de direitos humanos, que apontam riscos concretos de agravamento do quadro clínico.

Saúde ignorada

Relatórios médicos independentes indicam que as unidades de saúde disponíveis não possuem capacidade técnica nem recursos para realizar os procedimentos necessários, tampouco para garantir o acompanhamento contínuo exigido por seu histórico cardíaco delicado. Ainda assim, o governo mantém a decisão de não transferi-la, ignorando recomendações médicas e alertas sobre o risco crescente de complicações graves, incluindo novos episódios cardíacos. Para a defesa, a situação ultrapassa a negligência e se enquadra como violação de direitos fundamentais, podendo ser interpretada como tratamento cruel, desumano e degradante, sobretudo diante da vulnerabilidade da ativista.

Presa desde o fim de 2025 por críticas ao regime e por sua atuação em defesa dos direitos humanos, Narges já passou mais de uma década encarcerada em diferentes períodos ao longo de sua trajetória. Sua família afirma viver sob tensão constante, temendo receber a notícia de sua morte a qualquer instante, enquanto intensifica apelos à comunidade internacional por intervenção. Organizações e entidades globais ampliam a pressão sobre o Irã, cobrando garantias mínimas de assistência médica e respeito aos direitos humanos. O caso reacende o debate sobre presos políticos no país, e levanta acusações de que a privação de cuidados médicos estaria sendo utilizada como forma de punição silenciosa e prolongada.