Mudanças atingem Segov e GSI e fazem parte de reestruturação após denúncias de uso político de cargos
Em um movimento que redesenha o coração da segurança pública no estado, o governador em exercício do Rio, Ricardo Couto, decidiu cortar estruturas, redistribuir poder e colocar a Polícia Militar no centro de programas estratégicos. A medida, anunciada na noite de quinta-feira, 30, marca mais um capítulo da reformulação acelerada do governo fluminense.
Os decretos publicados por Couto esvaziam a Secretaria de Governo (Segov) e o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), transferindo para a Polícia Militar programas importantes como o Segurança Presente e o Barricada Zero. As duas iniciativas, antes geridas por essas pastas, passam agora ao comando direto da corporação, em uma tentativa de centralizar e dar mais eficiência às ações de segurança.
Reforma e pressão política
A mudança ocorre em meio a investigações que apontaram o uso político de cargos dentro desses programas, com indicações feitas por parlamentares da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) em troca de apoio. O Segurança Presente, um dos projetos mais populares do estado, teria sido alvo desse tipo de influência, o que acelerou a decisão de reestruturação.
Desde que assumiu interinamente o governo, há pouco mais de um mês, Couto já promoveu uma ampla reformulação no primeiro escalão, substituindo cerca de um terço da equipe. As mudanças têm priorizado nomes ligados ao meio jurídico e técnico, além de atingirem diretamente aliados do ex-governador Cláudio Castro, indicando uma tentativa clara de imprimir nova identidade administrativa à gestão estadual.