Parlamentar alega difamação, cita uso de IA e pede investigação sobre peça exibida em evento partidário
Em meio à escalada de tensões políticas e ao uso cada vez mais estratégico das redes sociais como ferramenta de disputa narrativa, um novo capítulo de confronto entre partidos ganhou contornos jurídicos em Brasília. O deputado federal Ubiratan Sanderson, que também é policial federal licenciado, decidiu acionar a Procuradoria-Geral da República contra o Partido dos Trabalhadores após a divulgação de um vídeo que associa o senador Flávio Bolsonaro ao chamado caso Master. A iniciativa reflete não apenas o embate entre governo e oposição, mas também a crescente judicialização de conteúdos políticos no ambiente digital, onde acusações ganham ampla circulação e impacto.
A gravação foi exibida durante um congresso nacional do partido do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva neste domingo, 26, e define o senador como “o filho mais corrupto” de Jair Bolsonaro. O material também afirma que “Flávio é do esquema”, ao relacioná-lo ao episódio da rachadinha na Alerj, à compra de 51 imóveis em dinheiro vivo, e a supostos vínculos com “milicianos que trabalhavam em seu gabinete”, além de mencionar o termo “bolsomaster”. Segundo a representação, o conteúdo extrapola os limites da crítica política ao sugerir envolvimento do senador em irregularidades sem respaldo comprovado.
Disputa narrativa
Na ação encaminhada à PGR, Ubiratan Sanderson sustenta que o vídeo apresenta afirmações categóricas sem base em investigações formais conhecidas, o que, em tese, pode configurar desinformação com potencial de influenciar o eleitorado. O parlamentar pede que o Ministério Público avalie a eventual prática de crime por parte do partido dos trabalhadores, incluindo disseminação de informações falsas e ataque à honra.
Sanderson também destaca o uso de tecnologias de inteligência artificial na produção do material, apontando que esse recurso ampliaria o alcance e a capacidade de convencimento da mensagem. O caso Master, citado no vídeo, envolve apurações sobre movimentações financeiras suspeitas e possíveis conexões políticas, com desdobramentos em diferentes instâncias do sistema de Justiça. Caberá agora à Procuradoria-Geral da República analisar se há elementos suficientes para dar andamento à representação ou optar pelo arquivamento.