Imóvel antigo na Rua Cupertino Durão abre espaço para novo empreendimento de alto padrão
No fim de 2026, o tempo vai se despedir em pequenos gestos. O zelador Léo, figura conhecida por todos na rua, regará pela última vez as plantas do jardim do edifício número 36 da Rua Cupertino Durão, como quem tenta segurar, por mais alguns instantes, a memória viva daquele endereço. Será um adeus silencioso: ele e os demais moradores terão de deixar o prédio até dezembro. Em janeiro de 2027, as paredes que guardaram histórias por décadas darão lugar ao som das máquinas; o edifício será demolido para a construção de um novo residencial de luxo no Leblon.
O imóvel, que começou a ser habitado em 1949, um dos primeiros da região, faz parte da formação urbana do bairro, e carrega traços de um período em que o Leblon ainda consolidava sua identidade residencial. A substituição por um empreendimento de alto padrão segue a lógica atual do mercado imobiliário local, voltado a projetos exclusivos, com apenas oito unidades, metragem ampla e alto valor agregado, voltados a um público seleto.
Transformação urbana
A demolição reforça uma tendência já consolidada na Zona Sul do Rio de Janeiro, onde construções antigas vêm sendo progressivamente substituídas por edifícios modernos e sofisticados. A escassez de terrenos, e a valorização constante da região tornam esses projetos cada vez mais comuns, mesmo quando envolvem imóveis com relevância histórica ou afetiva para a vizinhança.
Com o início das obras previsto para 2027, o novo residencial deve seguir o padrão dos lançamentos recentes do bairro, com foco em exclusividade e alto luxo; e valores que acompanham essa expectativa: com a cobertura sendo negociada por cerca de R$ 20 milhões. Enquanto isso, moradores e personagens cotidianos, como o zelador Léo, deixam para trás não apenas um endereço, mas um pedaço da memória afetiva do Leblon, que aos poucos vai sendo redesenhado pelo avanço do mercado imobiliário.