Impulsionamento contra escala 6x1 nas redes amplia debate trabalhista e levanta críticas sobre uso político da comunicação oficial
Entre cliques, curtidas e estratégias digitais, o governo federal transformou as redes sociais em vitrine, e, segundo críticos, em palanque eleitoral antecipado. Com investimento de ao menos R$ 1,5 milhão, campanhas contra a escala 6x1 passaram a circular com força nas plataformas, associando a pauta trabalhista à imagem do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva em meio ao cenário pré-eleitoral.
Dados da biblioteca de anúncios da Meta, responsável por Facebook e Instagram, indicam que os valores foram aplicados entre janeiro e abril de 2026. Como a plataforma divulga apenas faixas de investimento, o montante considera o teto estimado por publicação. A estratégia envolveu a repetição de conteúdos impulsionados para ampliar alcance e engajamento, reforçando a mensagem governamental sobre a mudança na jornada de trabalho.
Estratégia em ano político
O pico dos gastos ocorreu em abril, especialmente na semana que antecedeu a análise do tema na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. Entre os dias 15 e 18, aproximadamente R$ 881 mil de verbas públicas foram investidas, sinalizando uma ação coordenada com o calendário legislativo e com o aumento da visibilidade pública da proposta.
Enquanto o governo defende a campanha como uma iniciativa de informação e mobilização social, opositores apontam que o impulsionamento acaba funcionando como vitrine política, fortalecendo a imagem de Lula em um momento estratégico para sua tentativa de reeleição. O debate sobre o fim da escala 6x1, assim, ultrapassa o campo trabalhista, e se insere no centro da disputa política nacional.