Registros de câmeras corporais levantam suspeitas sobre abordagem e contradizem versão inicial dos policiais
Antes dos disparos, houve vigilância. Imagens de câmeras corporais exibidas pelo programa Fantástico mostram que policiais militares acompanharam por um período o veículo de um empresário na Pavuna, Zona Norte do Rio, antes da abordagem que terminou em morte — um detalhe que muda o rumo da investigação e amplia as dúvidas sobre a ação policial.
O caso envolve o empresário Daniel Patrício dos Santos Oliveira, de 29 anos, que foi morto a tiros durante uma abordagem enquanto estava em um carro com amigos. Inicialmente, a versão apresentada indicava uma ação reativa dos agentes, mas as imagens revelam uma sequência anterior de monitoramento e deslocamento dos policiais, sugerindo que a abordagem não foi tão repentina quanto se alegava.
Versão contestada
A análise das gravações levou a Corregedoria da Polícia Militar a prender dois agentes em flagrante. De acordo com a investigação, os policiais efetuaram mais de 20 disparos contra o veículo, e os registros das câmeras corporais indicam indícios de homicídio doloso — quando há intenção de matar — contrariando a narrativa inicial de confronto.
O caso agora é investigado pela Polícia Civil e acompanhado pelo Ministério Público, enquanto familiares e testemunhas cobram justiça. As imagens reforçam o papel das câmeras corporais como ferramenta de controle e transparência, ao mesmo tempo em que reacendem o debate sobre o uso da força em abordagens policiais no Rio de Janeiro.