Popularização de medicamentos como semaglutida acende alerta de especialistas sobre riscos e uso indiscriminado
Promessa de emagrecimento rápido, corpo ideal e resultados quase imediatos: as chamadas “canetas emagrecedoras” se tornaram febre — mas também um alerta crescente na área da saúde. Criadas originalmente para tratar diabetes tipo 2, essas medicações passaram a ser usadas amplamente para fins estéticos, muitas vezes sem acompanhamento médico, abrindo espaço para riscos que vão além da balança. Esses medicamentos, conhecidos como agonistas de GLP-1, só deveriam ser utilizados com prescrição e acompanhamento profissional.
No entanto, o uso indiscriminado — inclusive com produtos adquiridos ilegalmente — tem preocupado autoridades sanitárias. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária vem discutindo novas regras para reforçar o controle sobre essas substâncias, diante do avanço do mercado paralelo e da manipulação irregular de compostos como semaglutida e tirzepatida. O principal problema está no uso sem indicação clínica. Especialistas alertam que pessoas sem obesidade ou diabetes podem sofrer consequências importantes ao utilizar essas canetas apenas por estética.
Riscos à saúde
Entre os efeitos colaterais mais comuns estão náuseas, vômitos e outros sintomas gastrointestinais, mas os riscos podem ser mais graves, incluindo pancreatite, problemas na vesícula e até desidratação severa. Além disso, o uso prolongado ou inadequado pode provocar perda de massa muscular, alterações hormonais — especialmente em mulheres — e até distúrbios alimentares. Em casos extremos, a redução excessiva de gordura corporal pode comprometer a produção hormonal, afetando o ciclo menstrual e outras funções do organismo.
Outro ponto de atenção é o consumo de produtos falsificados ou sem controle de procedência, que podem agravar ainda mais os riscos. Autoridades de saúde reforçam que o uso dessas medicações deve ocorrer exclusivamente com orientação médica, dentro de critérios clínicos bem definidos, e não como solução rápida para padrões estéticos. Em meio à popularização acelerada, o alerta é claro: emagrecimento sem acompanhamento pode custar caro — e não apenas no bolso, mas na própria saúde.