Temor de desgaste popular leva equipe econômica a adiar definição de alíquotas sobre bebidas alcoólicas
A possibilidade de ver a cerveja mais cara no bolso do consumidor acendeu um alerta político em Brasília. Diante do risco de desgaste popular, o governo federal decidiu segurar a regulamentação do chamado “imposto do pecado”, tributo previsto na reforma tributária que deve incidir sobre produtos como bebidas alcoólicas e cigarros. A equipe econômica ainda discute como definir as alíquotas do imposto seletivo, criado justamente para encarecer itens considerados prejudiciais à saúde e desestimular o consumo.
Embora o tributo esteja previsto para entrar em vigor nos próximos anos, o governo evita avançar na regulamentação neste momento, temendo a repercussão negativa de aumentos de preços — especialmente em um produto de consumo popular como a cerveja. O impasse ocorre em meio à própria complexidade da reforma tributária, que instituiu o imposto seletivo, mas deixou a definição das alíquotas para uma etapa posterior.
Imposto sob pressão
A indefinição já gera preocupação no setor produtivo, que cobra clareza para planejar investimentos e custos futuros, enquanto o governo tenta equilibrar arrecadação, saúde pública e impacto político. Na prática, a tendência é que bebidas alcoólicas fiquem mais caras com a nova tributação, ainda que em intensidades diferentes conforme o teor alcoólico — o que colocaria a cerveja entre os produtos afetados, ainda que em menor escala que outras bebidas.
Ao adiar a regulamentação, o governo ganha tempo para calibrar o impacto do imposto e evitar desgaste em um tema sensível ao consumidor. Ao mesmo tempo, a decisão evidencia o dilema central da reforma: como implementar um tributo com viés de saúde pública sem provocar reação negativa imediata da população — especialmente quando ele atinge diretamente hábitos culturais amplamente difundidos no país.