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Influencer investigado por vídeos com IA diz que usou “humor” para criticar jovens em igrejas

24/04/2026 12:15 Por Redação NTD

Polícia apura uso de deepfake para sexualizar imagens de evangélicas; caso envolve adolescentes e levanta debate sobre limites na internet

Entre fé, tecnologia e exposição indevida, um caso que mistura inteligência artificial e redes sociais acendeu alerta nas autoridades paulistas: o influenciador digital Jefferson de Souza passou a ser investigado por usar imagens de jovens evangélicas — algumas menores de idade — em vídeos manipulados com teor sexualizado. Ao ser ouvido, ele afirmou que suas publicações tinham caráter “humorístico” e serviam como crítica às roupas usadas por frequentadoras de igrejas, versão que contrasta com o impacto relatado pelas vítimas. 

De acordo com a Polícia Civil de São Paulo, o investigado utilizava técnicas de deepfake — tecnologia que permite alterar ou criar vídeos realistas com inteligência artificial — para inserir rostos de jovens em cenas com conotação sensual, sem autorização. O inquérito teve início após a denúncia de uma adolescente de 16 anos, cuja imagem foi manipulada e divulgada nas redes sociais, levando a possíveis enquadramentos por crimes previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e também por difamação. 

Investigação e repercussão

Em depoimento, o influenciador admitiu que utilizava fotos públicas encontradas na internet para produzir os vídeos e disse não ter tido a intenção de ofender. Ele alegou que o conteúdo era uma forma de crítica comportamental dentro do contexto religioso e que não imaginava consequências legais, apesar de reconhecer erros e pedir desculpas posteriormente. Ainda assim, especialistas ouvidos pela investigação reforçam que o uso de inteligência artificial não isenta o criador de responsabilidade pelo conteúdo divulgado. 

O caso ganhou repercussão nacional e reacendeu discussões sobre segurança digital, exposição de mulheres e adolescentes e os limites do chamado “humor” nas redes sociais. Autoridades destacam que novas vítimas podem surgir e incentivam denúncias, enquanto plataformas digitais já removeram parte do conteúdo. Para investigadores e especialistas, episódios como esse tendem a se tornar mais frequentes com o avanço das tecnologias de manipulação de imagem, exigindo respostas mais rápidas da Justiça e da sociedade.