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Política

Lula insiste em negar expulsão de policial nos EUA, mas elogia “reciprocidade” da PF contra agente americano

23/04/2026 13:30 Por Redação NTD

Presidente afirma que não houve notificação oficial sobre caso em Miami, mas parabeniza descredenciamento de agente dos EUA em Brasília

O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a afirmar que não houve expulsão do policial federal Marcelo Ivo de Carvalho dos Estados Unidos, alegando que o governo norte-americano não enviou qualquer documento oficial que comprove a medida. Apesar disso, o próprio Presidente parabenizou o diretor-geral da Polícia Federal do Brasil, Andrei Rodrigues, pela decisão de adotar uma ação de “reciprocidade” contra um agente americano que atuava em Brasília; gesto que intensifica o debate sobre contradições na condução do caso. 

A posição do governo brasileiro tem gerado questionamentos justamente por essa dualidade. De um lado, Lula sustenta que não houve expulsão formal do agente brasileiro em Miami, destacando a ausência de comunicação oficial por parte das autoridades norte-americanas. De outro, endossa e elogia uma medida prática de retaliação, com o descredenciamento de um agente dos EUA que atuava em cooperação com órgãos brasileiros, indicando que houve, na prática, uma resposta equivalente.

Reciprocidade em xeque

A decisão de retirar as credenciais do agente americano foi anunciada como uma reação ao tratamento dado ao policial brasileiro, mesmo sem confirmação formal de expulsão. A fala do diretor da PF reforçou essa linha ao afirmar que o agente norte-americano “deixa de ter acesso” às estruturas da instituição, assim como teria ocorrido com o servidor brasileiro em Miami. A declaração, no entanto, acaba reforçando a percepção de incoerência entre o discurso oficial do diretor da PF e do Presidente Lula e as medidas adotadas.

O episódio, que se conecta ao caso envolvendo Alexandre Ramagem, tem ampliado o desgaste diplomático, e gerado constrangimentos ao Itamaraty. Em meio à repercussão internacional e às declarações feitas por Lula durante viagem à Europa, a insistência na inexistência de expulsão, combinada com a adoção de “reciprocidade”, mantém a crise aberta e levanta dúvidas sobre a consistência da estratégia brasileira nas relações com os Estados Unidos.