Uso de navios como hotéis flutuantes por R$ 350 milhões levanta questionamentos sobre custos e vínculos empresariais
Para viabilizar a realização da COP30 em Belém, o governo do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva apostou em uma solução logística fora do padrão: a contratação de cruzeiros marítimos como alternativa de hospedagem. A medida, pensada para suprir a falta de leitos na capital paraense, ganhou repercussão não apenas pelo volume de recursos envolvidos, mas principalmente pelo fato de os navios terem sido contratados por meio de uma empresa Qualitours que pertence à holding BeFly, criada em 2021 por Marcelo Cohen a partir do impulsionamento de fundos ligados ao Banco Master. Cohen também é sócio de Daniel Vorcaro no hotel de luxo Botanique, localizado em Campos do Jordão, na Serra da Mantiqueira, região nordeste de São Paulo.
O investimento total gira em torno de R$ 350 milhões, destinados à oferta de milhares de cabines para acomodar autoridades, delegações, e participantes do evento climático internacional. Parte desse valor funciona como garantia pública, cobrindo eventuais prejuízos caso a ocupação não atinja o esperado. A iniciativa evidencia os desafios estruturais de sediar um encontro global de grande porte na região amazônica, ao mesmo tempo em que amplia o debate sobre a eficiência no uso de recursos públicos.
Contratação sob questionamento
Além do custo elevado, o ponto que mais chama atenção é a conexão empresarial envolvida na operação. De acordo com as informações reunidas, a empresa contratada para fornecer os cruzeiros tem entre seus sócios nomes ligados ao círculo de Vorcaro, o que gerou questionamentos sobre os critérios adotados na escolha do fornecedor. O empresário tem atuação conhecida no mercado financeiro e já esteve associado a investigações, fator que intensifica o escrutínio sobre o contrato.
Embora não haja, até o momento, comprovação de irregularidades formais, a combinação entre alto investimento público e vínculos empresariais sensíveis pressiona o governo por maior transparência. Nesse cenário, a contratação dos cruzeiros deixa de ser apenas uma solução emergencial para hospedagem e passa a simbolizar um ponto de tensão na organização da COP30, onde logística, política, e credibilidade institucional se entrelaçam sob atenção nacional e internacional.