Decisão atinge recursos aprovados no fim da gestão anterior e levanta questionamentos sobre uso do Fundo Soberano
Uma canetada que travou bilhões em obras e reacendeu o debate sobre o uso do dinheiro público. O governador em exercício do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, decidiu bloquear o repasse de R$ 730 milhões que seriam destinados a municípios do interior, em uma medida que interrompe projetos e lança dúvidas sobre decisões tomadas nos últimos momentos da gestão anterior. O valor havia sido liberado às vésperas da saída do então governador Cláudio Castro, o que aumentou a desconfiança da nova administração.
Os recursos sairiam do Fundo Soberano estadual, criado para funcionar como uma espécie de poupança pública abastecida por receitas do petróleo e gás. A verba seria usada em obras como pavimentação, drenagem e contenção de encostas em 16 cidades fluminenses. No entanto, o fato de a liberação ter sido aprovada no último dia da gestão Castro, em reunião realizada poucas horas antes da renúncia, motivou a decisão de suspender os repasses e revisar os projetos.
Revisão e suspeitas sobre liberação
De acordo com o governo interino, Ricardo Couto afirmou que não foi informado previamente sobre a liberação dos recursos e determinou que nenhum valor do fundo será transferido até que haja análise técnica detalhada. A medida faz parte de um pente-fino mais amplo nas contas estaduais, que busca reavaliar contratos, estruturas administrativas e decisões tomadas no fim do governo anterior.
A suspensão impacta diretamente cidades de diferentes regiões do estado e amplia a tensão política em torno do legado de Cláudio Castro. Enquanto aliados do ex-governador defendem que os investimentos estavam dentro das finalidades do fundo, a atual gestão argumenta que o volume elevado de recursos e o momento da aprovação justificam a revisão. O episódio expõe não apenas uma disputa administrativa, mas também o embate político sobre o uso de verbas públicas no Rio de Janeiro.