Dados reforçam tendência nacional de maior população feminina, impulsionada por violência, saúde e expectativa de vida
Em um retrato demográfico que desmonta velhos clichês, IBGE revela que, em São Paulo, as mulheres não apenas são maioria, como ampliam essa vantagem conforme a população envelhece. O desequilíbrio entre os sexos, longe de ser pontual, reflete mudanças profundas na sociedade brasileira e nas condições de vida ao longo das décadas.
Os dados mostram que a proporção entre homens e mulheres segue a tendência nacional, com menos homens do que mulheres no conjunto da população. Em recortes específicos, como entre idosos, essa diferença se torna ainda mais evidente: em São Paulo, há entre 76 a 77 homens para cada 100 mulheres com mais de 60 anos. Esse cenário acompanha o padrão observado em todo o país, onde a população feminina já supera a masculina em milhões de pessoas.
Diferença que aumenta com o tempo
Especialistas apontam que o fenômeno está diretamente ligado à maior mortalidade masculina ao longo da vida. Embora nasçam mais homens do que mulheres, eles também morrem mais cedo, especialmente por causas externas como violência urbana e acidentes. Além disso, fatores comportamentais, como menor procura por serviços de saúde, contribuem para reduzir a expectativa de vida masculina.
Com isso, a presença feminina se torna predominante nas faixas etárias mais avançadas, alterando a dinâmica social e econômica. O dado tem impacto direto em políticas públicas, desde o planejamento da saúde até a previdência e o mercado de trabalho, além de influenciar aspectos culturais e até relações afetivas. Em São Paulo, maior estado do país, essa realidade se manifesta de forma ainda mais clara, consolidando uma tendência que deve se intensificar nos próximos anos.