Cantor aparece em relatório por repasse de R$ 150 mil, mas não é investigado formalmente
No rastro de um esquema bilionário que mistura música, apostas e suspeitas de crime organizado, o nome de MC Gui surgiu nos relatórios da Polícia Federal, não como alvo direto, mas como peça de uma engrenagem financeira que levanta suspeitas. A menção ao funkeiro reacende o debate sobre o uso do entretenimento como possível fachada para movimentações milionárias de origem duvidosa.
De acordo com a investigação, MC Gui recebeu R$ 150 mil entre maio e junho de 2024. O valor teria sido transferido por Alexandre Paula de Sousa Santos, conhecido como “Belga”, apontado como operador financeiro ligado ao grupo investigado e ao funkeiro MC Ryan SP. A apuração integra a Operação Narco Fluxo, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro que pode ter movimentado cerca de R$ 1,6 bilhão.
Transações sob suspeita
Segundo a Polícia Federal, o operador atuava concentrando grandes quantias e redistribuindo os recursos entre integrantes da estrutura, o que pode indicar tentativas de ocultar a origem do dinheiro. Os investigadores avaliam que repasses como o feito ao cantor podem estar relacionados a pagamentos por divulgação, parcerias comerciais ou até distribuição de lucros do esquema — muitas vezes mascarados como atividades legítimas do setor de entretenimento.
Apesar da citação no relatório, MC Gui não é investigado formalmente. A defesa do artista afirma que a transação teve caráter comercial, relacionada à venda de participação em uma barbearia, e sustenta que não havia conhecimento sobre qualquer possível irregularidade na origem dos valores. Enquanto isso, a PF segue aprofundando a análise do fluxo financeiro e das conexões entre os envolvidos para entender a dimensão e o funcionamento do esquema.