Percepção de risco altera rotas, encarece viagens e redireciona turistas para destinos considerados mais seguros
Em um efeito dominó que atravessa fronteiras, o agravamento do conflito no Oriente Médio já começa a transformar o mapa global do turismo. Com céus mais vazios e rotas redesenhadas, viajantes do mundo todo recalculam destinos e prioridades, enquanto companhias aéreas e seguradoras lidam com um cenário de incerteza que custa caro: estima-se um impacto diário de US$ 600 milhões no setor, revelando a dimensão econômica de uma crise que vai além da geopolítica.
Desde o início da escalada de tensões, a região registrou uma queda de 56% no volume de voos em comparação com março de 2025, segundo dados da Cirium. O fechamento de espaços aéreos e o aumento da percepção de risco têm levado turistas a buscar alternativas mais previsíveis, com destaque para países da Europa Ocidental. Um levantamento do Conselho Mundial de Viagens e Turismo aponta que destinos como Espanha, França, Portugal, Itália, e Grécia voltam ao centro das escolhas, impulsionados por infraestrutura consolidada, e ampla conectividade aérea.
Mudança de rota
Dados da Coris, empresa brasileira com quase 40 anos de atuação no mercado de assistência e seguro viagem, reforçam a tendência de redirecionamento, indicando também um aumento na procura por destinos mais próximos, como América do Sul e Caribe. “Existe um movimento claro de busca por viagens que ofereçam maior sensação de segurança”, afirma Cláudia Brito, destacando que o menor tempo de deslocamento e a redução de conexões aéreas pesam na decisão dos turistas. Segundo a sócia diretora comercial da Coris, o cenário atual também já impacta quem tinha viagens planejadas, com aumento nos pedidos de cancelamento e remarcações.
Para Mário Marques, professor da SKEMA Business School, escola global de negócios e inovação, o fenômeno reflete um comportamento clássico da economia. O encarecimento do querosene de aviação (QAV), atrelado ao dólar, pressiona tarifas aéreas, enquanto o transporte rodoviário tende a absorver parte dessa demanda no curto prazo. “Estamos diante de um efeito substituição: o consumidor não deixa de viajar, mas adapta suas escolhas”, explica Marques. Em meio à instabilidade, informação atualizada, planejamento flexível, e suporte especializado tornam-se essenciais para garantir uma experiência mais segura, independentemente do destino.