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“Entre a Cruz e os Canibais” retorna aos palcos com humor ácido sobre o Brasil colonial

17/04/2026 12:46 Por Redação NTD

Montagem de Marcos Damigo mistura farsa, crítica histórica e música ao vivo em nova temporada no Teatro Ruth Escobar

Entre risos e desconfortos, o passado colonial brasileiro ganha novas camadas no palco com o retorno de “Entre a Cruz e os Canibais”, espetáculo que aposta no humor escrachado para revisitar uma das origens mais controversas da formação do país. Em cartaz até 17 de maio, no Teatro Ruth Escobar, a peça ocupa um espaço que passa por ampla revitalização, com investimento estimado em R$ 10 milhões e nova gestão da Vinicius Munhoz Entretenimento, que busca reposicionar o teatro no circuito cultural paulistano.

Escrita e dirigida por Marcos Damigo, a montagem se constrói como uma comédia farsesca que expõe, com ironia, aspectos pouco conhecidos dos primeiros europeus instalados no Brasil. Ambientada em 1599, a trama acompanha figuras de poder — como o Juiz, o Vereador e o Procurador — em meio a uma crise que se intensifica com a chegada do governador-geral Francisco de Souza. O sequestro de indígenas aliados e os interesses econômicos em jogo revelam tensões políticas e éticas que ecoam até os dias atuais. 

Humor como crítica

Damigo assume o riso como ferramenta de provocação. “Criamos uma comédia de escárnio, que revela o grotesco por trás de uma narrativa histórica muitas vezes romantizada”, afirma o diretor, ao destacar a escolha estética da obra. A encenação não busca fidelidade histórica tradicional, optando por personagens tratados como tipos e por uma linguagem visual que aproxima passado e presente, com figurinos inspirados no modernismo e na tropicália, além de cenário artesanal com lonas pintadas à mão.

No elenco, nomes experientes como José Rubens Chachá, Fábio Espósito, Daniel Costa e Thiago Claro França dão vida à narrativa, que conta ainda com música ao vivo assinada por Thiago Claro França e Adriano Salhab. Com consultoria dramatúrgica de Luís Alberto de Abreu e apoio de historiadores como Paulo Rezzutti e Rodrigo Bonciani, o espetáculo reafirma a pesquisa contínua de Damigo sobre a história do Brasil, propondo uma reflexão crítica e bem-humorada sobre as origens da identidade paulista.