Mudança na proporção de diagnósticos desafia estatísticas históricas e exige um novo olhar sobre o TEA feminino
No mês de conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista, um novo sinal de atenção mobiliza especialistas e famílias: o aumento no número de meninas diagnosticadas pode estar transformando a forma como a condição é compreendida e identificada. Historicamente subdiagnosticadas, elas começam a surgir com mais frequência nos consultórios e centros de avaliação, revelando lacunas antigas no reconhecimento dos sintomas e levantando questionamentos importantes sobre os critérios clínicos tradicionais, muitas vezes baseados em padrões predominantemente masculinos.
De acordo com o médico Fábio Bolognani, chefe do Ambulatório de Homeopatia da Santa Casa do Rio, a proporção clássica de cinco meninos para cada menina já não reflete integralmente a realidade atual observada na prática clínica. Dados mais recentes apontam para uma relação próxima de três para um — ou, em números absolutos, 219 meninos para 72 meninas —, indicando uma mudança significativa no padrão de diagnósticos ao longo dos últimos anos e reforçando a necessidade de atualização nos parâmetros de avaliação.
Subdiagnóstico histórico
Especialistas apontam que o chamado “autismo feminino” costuma se manifestar de maneira diferente, muitas vezes com sinais mais sutis, menos estereotipados ou até mascarados por comportamentos socialmente aceitos. Meninas tendem a desenvolver estratégias de adaptação social, imitação e camuflagem, o que pode dificultar a identificação precoce por parte de familiares, educadores e até profissionais de saúde. Esse cenário contribuiu, por décadas, para a invisibilidade de muitas pacientes dentro do espectro, atrasando intervenções importantes e impactando diretamente sua qualidade de vida.
O tema deve ganhar ainda mais destaque no Congresso Brasileiro de Homeopatia, onde a discussão sobre novas abordagens diagnósticas, terapêuticas e educacionais promete ampliar o debate entre especialistas. Para a comunidade médica, reconhecer essas diferenças é fundamental para garantir diagnósticos mais precisos, tratamentos adequados e maior inclusão social. O avanço nesse entendimento reforça a importância de um olhar mais atento, sensível e atualizado às particularidades do TEA em meninas, promovendo equidade no cuidado e no acesso à saúde.