Estudo aponta aumento significativo de infarto e arritmias entre vítimas, reforçando impacto físico da violência
A violência sexual deixa cicatrizes que vão muito além do trauma psicológico — e podem atingir diretamente o coração. Um estudo recente revelou que mulheres que sofreram esse tipo de violência apresentam maior risco de desenvolver doenças cardiovasculares, como infarto e arritmias, ampliando a gravidade de um problema que já é considerado uma crise de saúde pública.
A pesquisa, publicada na revista científica Cadernos de Saúde Pública, analisou dados da Pesquisa Nacional de Saúde e identificou que vítimas de violência sexual têm até 74% mais chances de desenvolver doenças cardiovasculares ao longo da vida. Entre os problemas mais associados estão o infarto do miocárdio e distúrbios de ritmo cardíaco, enquanto outras condições, como angina e insuficiência cardíaca, não apresentaram diferença relevante.
Impactos que vão além do psicológico
Segundo os pesquisadores, o impacto da violência no organismo pode desencadear uma série de alterações fisiológicas, como aumento da pressão arterial, inflamações e elevação da frequência cardíaca — fatores diretamente ligados ao risco cardiovascular. Além disso, o trauma também pode influenciar comportamentos prejudiciais à saúde, como tabagismo, consumo de álcool, sedentarismo e má alimentação, o que agrava ainda mais o quadro.
Os dados reforçam que a violência sexual deve ser tratada não apenas como questão de segurança pública, mas também como um grave problema de saúde. Especialistas defendem a integração entre atendimento psicológico e acompanhamento médico contínuo para vítimas, com foco também na prevenção de doenças físicas. O estudo ainda destaca que a subnotificação é alta, o que indica que o impacto real pode ser ainda maior do que o registrado oficialmente.