Psicóloga Fátima Antunes destaca benefícios da escrita à mão para o cérebro e para a análise comportamental
Em um mercado de trabalho cada vez mais orientado por competências comportamentais, até a forma de escrever pode entrar em análise. A grafologia — estudo da escrita manual — volta a ganhar espaço em processos seletivos como ferramenta complementar, ao mesmo tempo em que resgata um hábito tradicional que traz impactos positivos para a saúde mental e o funcionamento do cérebro.
Embora ainda gere controvérsias no meio acadêmico, a técnica tem sido adotada por empresas interessadas em ampliar a compreensão sobre o perfil dos candidatos. Para a psicóloga e professora universitária Fátima Antunes, esse movimento reflete uma mudança no olhar sobre o capital humano. “As empresas querem entender não apenas o que o profissional sabe fazer, mas como ele se comporta, se organiza e se relaciona”, explica.
Escrita manual e saúde mental
Além do uso no recrutamento, especialistas apontam que o hábito de escrever à mão oferece uma série de benefícios cognitivos e emocionais. A prática contribui para o aprimoramento da memória, estimula a coordenação motora e favorece o aumento do foco e da concentração. Em um cenário marcado pela digitalização e pelo uso constante de dispositivos eletrônicos, a escrita manual surge como um exercício importante para o cérebro, ajudando também no processamento de informações e na organização do pensamento.
Dentro desse contexto, a grafologia é vista por alguns profissionais como uma ferramenta capaz de gerar insights adicionais sobre comportamento, funcionando como complemento a entrevistas e testes psicológicos. Ainda que não haja consenso científico sobre sua eficácia, o método segue presente no mercado. Para Fátima, o mais importante é o uso responsável: “Nenhuma ferramenta deve ser aplicada de forma isolada. O essencial é garantir critérios éticos e decisões mais conscientes”.