Diferente do romance leve do Cinema, caso expõe esquema de exploração sexual disfarçado de curso para conquistar mulheres
No Cinema, conquistar alguém pode ser questão de estratégia, charme, e boas intenções, como mostra o filme Hitch - Conselheiro Amoroso. Mas, na vida real, a promessa de ensinar homens a seduzir mulheres terminou em condenação criminal: dois “coaches” foram sentenciados pela Justiça em São Paulo por envolvimento em um esquema de exploração sexual que usava cursos de “conquista” como fachada. Os condenados são o norte-americano Mark Thomas Firestone, e o brasileiro Fabrício Marcelo Silva de Castro, ligados ao grupo Millionaire Social Circle. Eles ofereciam treinamentos voltados a estrangeiros, prometendo resultados semelhantes aos de um “consultor amoroso”; figura popularizada pelo personagem vivido por Will Smith. No entanto, segundo as investigações, a prática estava longe da abordagem divertida e discreta retratada no filme.
Enquanto em “Hitch” o protagonista ajuda homens comuns a desenvolver confiança, e construir relações genuínas, o caso brasileiro revelou um modelo baseado em festas, exposição e indícios de exploração sexual. Um dos principais episódios ocorreu em uma mansão no Morumbi, onde eventos organizados pelo grupo funcionavam como “aulas práticas” para os alunos. De acordo com o processo, mulheres eram atraídas para essas festas, muitas vezes sem saber do real propósito, e acabavam inseridas em dinâmicas que envolviam consumo de álcool, gravações e interação forçada com os participantes dos cursos.
A Justiça entendeu que houve favorecimento à prostituição e exploração sexual, com agravantes como a presença de adolescentes. Outro ponto crítico foi o uso de imagens das mulheres como “prova de sucesso” dos métodos ensinados, prática que reforça o caráter abusivo do esquema. Diferentemente do universo idealizado de Hitch — Conselheiro Amoroso, em que há consentimento e respeito, o caso brasileiro revelou uma estrutura que ultrapassou limites legais e éticos.
Um terceiro envolvido, o chinês Ziqiang Ke, conhecido pelo pseudônimo de Mike Pickupalpha, segue foragido, e terá o caso analisado separadamente. Os advogados de Mark Thomas e de Fabrício Marcelo Silva de Castro declararam que seus clientes aceitaram a decisão da Justiça com conformidade. O processo ainda cabe recurso, mas já levanta um alerta sobre os riscos de cursos de sedução que prometem resultados rápidos; e que, na prática, podem esconder atividades criminosas bem distantes da ficção romântica.