Modelo que conecta viajantes a comunidades transforma hospedagem em vetor de renda, inclusão e desenvolvimento sustentável
Longe dos roteiros tradicionais e das multidões, um novo mapa do turismo começa a se desenhar — feito de encontros, histórias e impacto real. Em regiões isoladas, onde antes o fluxo de visitantes era tímido, hotéis e experiências imersivas passam a movimentar economias inteiras, conectando viajantes a comunidades e criando oportunidades onde antes havia escassez.
Dados da Organização Mundial do Turismo indicam que o fluxo global de viajantes ultrapassou 1,4 bilhão em 2024, enquanto o Traveller Value Index, da Expedia Group, revela que 76% dos turistas priorizam experiências em vez de bens materiais. Relatórios do Banco Mundial e da própria OMT apontam o turismo como um dos principais motores de geração de renda, emprego e inclusão, sobretudo em regiões com menor acesso a oportunidades. Para Carmita Ribeiro, administradora e curadora de viagens, o setor deixou de ser apenas consumo para se tornar uma ferramenta de transformação local. “Quando a experiência é bem estruturada, ela ativa uma cadeia que envolve guias, produtores, artesãos e serviços”, afirma.
Impacto que vai além da viagem
Na prática, hotéis e lodges instalados em áreas remotas assumem papel estratégico ao integrar suas operações ao território. Em destinos como a Amazônia, esse modelo estimula a contratação de mão de obra local, a compra de insumos regionais e o desenvolvimento de projetos sociais. O resultado é a criação de um ciclo econômico que reduz a dependência de grandes centros urbanos e fortalece a autonomia regional. Com experiência em mais de 65 países, Carmita destaca que o impacto vai além da renda imediata: “O turismo bem conduzido preserva cultura, valoriza saberes tradicionais e cria orgulho local”.
O avanço desse modelo também chama a atenção de empresas e marcas interessadas em associar suas imagens a práticas sustentáveis e experiências com propósito. Ainda assim, desafios como infraestrutura limitada, logística complexa e necessidade de qualificação profissional exigem planejamento e visão estratégica. Entre as principais recomendações estão priorizar fornecedores locais, investir em capacitação, desenvolver experiências autênticas, estabelecer parcerias com a comunidade e adotar uma gestão de longo prazo. “Não se trata de levar uma estrutura pronta, mas de integrar o negócio à realidade local”, ressalta a especialista. Com a busca crescente por autenticidade, o turismo em regiões isoladas tende a se consolidar como uma das principais forças de desenvolvimento econômico e social fora dos grandes centros.