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Economia

Durigan assume Fazenda sob pressão fiscal e herda cenário crítico após gestão Haddad

06/04/2026 12:08 Por Redação NTD

Novo ministro enfrenta contas fragilizadas, metas contestadas e desafios ampliados por decisões anteriores

Entre números que não fecham e promessas que custam caro, Dario Durigan chega ao Ministério da Fazenda com uma tarefa ingrata: reorganizar um orçamento pressionado por escolhas recentes, e tentar recuperar a confiança da população brasileira em meio a um ambiente de incertezas; herança direta de uma política fiscal que, para muitos analistas, perdeu o rumo nos últimos meses. 

Há poucas semanas no cargo, o sucessor de Fernando Haddad assumiu diante de críticas crescentes ao modelo adotado na gestão anterior. Embora Haddad tenha defendido o novo arcabouço fiscal como solução para equilibrar as contas públicas, especialistas apontam que a regra se mostrou frágil diante da realidade orçamentária. O bloqueio inicial de R$ 1,6 bilhão anunciado por Durigan foi interpretado como tímido frente ao tamanho do problema. A meta de superávit primário de R$ 3,5 bilhões contrasta com estimativas que indicam déficit de quase R$ 60 bilhões ao se considerar despesas fora do limite, evidenciando uma discrepância que se consolidou ainda na gestão passada.

Pressão por gastos

Além do quadro herdado, Durigan precisa lidar com pressões políticas e econômicas que se intensificaram após decisões adotadas por Haddad. Medidas de estímulo ao consumo e concessões tributárias, vistas como tentativas de impulsionar a economia no curto prazo, acabaram reduzindo o espaço fiscal e ampliando a rigidez do orçamento. Agora, propostas como o subsídio ao diesel importado, com custo estimado em R$ 3 bilhões, e programas para conter a inadimplência das famílias aumentam ainda mais o desafio de fechar as contas sem comprometer a credibilidade do governo.

No campo estrutural, o novo ministro tenta sinalizar ajustes, como a modernização da declaração do Imposto de Renda e a busca por maior eficiência tributária. No entanto, economistas avaliam que os problemas vão além de medidas pontuais, e têm origem em uma condução fiscal considerada excessivamente otimista na gestão Haddad, que apostou em aumento de arrecadação e crescimento econômico para sustentar gastos elevados. O resultado foi um cenário de maior desconfiança do mercado, crescimento da dívida pública, e menor margem de manobra para investimentos; fatores que agora colocam Durigan diante de um teste decisivo para restaurar a disciplina fiscal e evitar um agravamento das contas públicas.