Com maioria dos consumidores disposta a gastar, especialistas apontam estratégias para ampliar vendas em diversos setores
Em meio a vitrines repletas de ovos e coelhos, a Páscoa de 2026 revela um cenário que vai muito além do chocolate: é uma verdadeira maré de consumo pronta para ser aproveitada por todo o varejo. Com 65% dos brasileiros planejando compras para a data, um aumento de 4,2 milhões de consumidores em relação ao ano anterior, e um gasto médio estimado em R$ 253, a celebração se consolida como uma das mais promissoras do calendário comercial.
Tradicionalmente associada ao setor de chocolates, a data, na prática, movimenta uma cadeia muito mais ampla. Segundo pesquisa da CNDL, SPC Brasil e Offerwise Pesquisa, embora ovos industrializados (56%) e bombons (50%) liderem as intenções de compra, outros segmentos também ganham força, como o de alimentos, impulsionado pela preferência de 49% dos consumidores por pescados como bacalhau, salmão e atum. Além disso, 95% dos brasileiros pretendem realizar suas compras em lojas físicas, reforçando o papel estratégico da experiência no ponto de venda.
Além do óbvio
Para Maurício Galhardo, sócio da F360, especializada em gestão financeira para o varejo, a Páscoa deve ser vista como uma oportunidade transversal. Restaurantes, confeitarias, lojas de presentes e até negócios que não têm ligação direta com a data podem se beneficiar ao criar conexões temáticas com o período. Estratégias como personalização de vitrines, brindes criativos, cartões personalizados, e promoções inteligentes (incluindo descontos progressivos e condições especiais de pagamento) ajudam a aumentar o ticket médio, e a fidelizar clientes. “Entrar no clima de uma data comemorativa não exige que o seu produto seja o presente principal. Basta que o cliente associe a sua loja a um momento especial. Uma vitrine bem decorada, uma oferta exclusiva da semana de Páscoa ou um brinde surpresa podem ser o diferencial que faz o consumidor voltar, muito além da data”, afirma Galhardo.
No entanto, o aumento nas vendas também exige atenção redobrada à gestão financeira. O especialista alerta para desafios como o controle de estoque, evitando tanto a falta quanto o excesso de produtos; o planejamento do fluxo de caixa, especialmente diante de vendas parceladas; e a eficiência operacional em dias de maior movimento. “Vender mais sem controle financeiro é só ampliar o risco”, destaca Galhardo, ao reforçar que o verdadeiro ganho está na capacidade de transformar o faturamento sazonal em resultados sustentáveis.