Reajuste expressivo no combustível eleva custos das companhias aéreas e ameaça oferta de voos no país
O custo de voar no Brasil pode estar prestes a subir. E o motivo não está nas companhias de aviação, mas no combustível. O recente reajuste no preço do querosene de aviação (QAV) acendeu um alerta em todo o setor aéreo, com impactos diretos sobre os custos das empresas, e possíveis reflexos no bolso dos passageiros nos próximos meses. Em um cenário já marcado por margens apertadas e alta sensibilidade a variações de preço, o aumento reforça a preocupação com a sustentabilidade das operações e com a manutenção da malha aérea nacional.
O aumento, promovido pela Petrobras, ultrapassa 50% no valor do combustível vendido às distribuidoras, segundo dados do setor. Como o querosene representa uma das maiores fatias dos custos operacionais das companhias — podendo chegar a cerca de 40% a 45% das despesas totais — o reajuste tende a pressionar fortemente toda a cadeia da aviação. A Abear classificou o cenário como preocupante e alertou para “consequências severas”, destacando o risco de redução de rotas, menor oferta de assentos, e impactos na conectividade entre cidades brasileiras.
Impacto direto
Com o aumento expressivo do combustível, projeções do mercado indicam que as passagens aéreas podem subir entre 10% e 20%, dependendo da estratégia de repasse adotada por cada empresa. Além disso, o encarecimento tende a afetar diretamente a demanda: especialistas avaliam que preços mais altos podem levar à redução no número de passageiros, especialmente em viagens de lazer, e, até, ao corte de voos considerados menos rentáveis. Regiões mais afastadas dos grandes centros, que dependem de rotas regionais, podem ser as mais impactadas por essa reconfiguração da malha aérea.
Diante desse cenário, o governo federal estuda medidas para conter os impactos, como a possível redução temporária de tributos sobre o QAV, e a criação de linhas de financiamento para aliviar o caixa das companhias aéreas. A própria Petrobras anunciou um modelo de reajuste parcelado, em uma tentativa de suavizar os efeitos imediatos sobre o setor. Ainda assim, fatores externos, como a volatilidade do preço do petróleo no mercado internacional, e a variação cambial, continuam pressionando os custos, mantendo um horizonte de incerteza tanto para as empresas quanto para os consumidores brasileiros.