Novo governador defende modelo municipalista, mas terá de provar eficácia diante de demandas regionais e pressão por entregas
Ao assumir o comando de Mato Grosso nesta terça-feira, 31, o governador Otaviano Pivetta adotou um discurso focado na continuidade administrativa e na cooperação com os municípios. A promessa de “usar o poder para o bem do povo” veio acompanhada da defesa de um modelo de gestão baseado na descentralização de recursos. No entanto, a nova gestão começa sob o desafio de demonstrar, na prática, que essa estratégia é capaz de responder às desigualdades regionais e às demandas por serviços públicos mais eficientes.
Pivetta afirmou que pretende manter e ampliar a parceria com as prefeituras, destacando o modelo municipalista adotado nos últimos anos. Segundo ele, a estratégia permitiu ampliar investimentos e acelerar obras em diferentes regiões do estado. Ainda assim, especialistas apontam que a descentralização exige maior controle sobre a aplicação dos recursos e mecanismos mais rígidos de fiscalização, para evitar desperdícios e garantir que os investimentos cheguem efetivamente à população.
Continuidade sob pressão
Durante a posse, o governador reforçou que não pretende promover mudanças estruturais profundas, apostando na continuidade das políticas implementadas na gestão de Mauro Mendes. A opção por manter o atual modelo pode garantir estabilidade administrativa no curto prazo, mas também levanta questionamentos sobre a capacidade de inovação do governo diante de novos desafios econômicos e sociais.
A transição ocorre em um contexto político sensível, com aumento da cobrança por resultados concretos em áreas como saúde, infraestrutura e desenvolvimento regional. Embora Pivetta tenha destacado a importância da união entre Estado e municípios, o sucesso da gestão dependerá não apenas do discurso de cooperação, mas da execução efetiva de políticas públicas, da transparência na gestão dos recursos e da capacidade de responder a críticas e demandas da sociedade.