Expansão do PIB argentino contrasta com desempenho fraco da economia brasileira e amplia debate sobre rumos econômicos no Mercosul
Em um contraste que chama atenção na América do Sul, a economia da Argentina voltou a crescer com mais força em 2025, enquanto o Brasil enfrenta um cenário de quase estagnação que preocupa analistas e o setor produtivo. O resultado marca uma inversão de expectativas recentes, colocando em evidência modelos econômicos distintos e seus efeitos práticos no desempenho das duas maiores economias da região.
De acordo com dados divulgados, o PIB argentino avançou cerca de 4,4% em 2025, impulsionado principalmente pela recuperação de setores como agropecuária e mineração, além de ajustes fiscais promovidos pelo governo de Javier Milei. No mesmo período, o Brasil registrou crescimento de apenas 2,3%, número considerado modesto diante das expectativas. Mais preocupante, no entanto, foi o desempenho do último trimestre, quando a economia brasileira avançou módico 0,1%, indicando uma desaceleração acentuada e um quadro próximo da estagnação total.
Caminhos opostos
A diferença de desempenho tem sido atribuída, em grande parte, às estratégias econômicas adotadas por cada país. Na Argentina, medidas de austeridade e reorganização fiscal, embora duras, ajudaram a reequilibrar indicadores macroeconômicos, e estimular determinados setores. Já no Brasil, críticos apontam que a condução econômica do governo de Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta dificuldades para impulsionar o crescimento de forma consistente, com entraves como juros elevados, insegurança fiscal, crescimento do endividamento público, e baixo nível de investimentos produtivos.
Apesar da recuperação, a Argentina ainda convive com desafios significativos, como pobreza elevada e fragilidade social, o que limita os efeitos positivos do crescimento. Por outro lado, a estagnação brasileira tem impacto direto sobre emprego, renda, e confiança, reduzindo o dinamismo econômico, e dificultando uma retomada mais robusta. O contraste entre os dois países reforça o debate sobre políticas econômicas na região e indica que, em 2026, o desempenho do PIB será um dos principais termômetros econômicos e políticos no cenário sul-americano.