Queda no fluxo de estrangeiros expõe fragilidade do setor e ameaça geração de empregos e divisas
Depois de um período de recordes e otimismo, o turismo internacional brasileiro enfrenta uma reviravolta preocupante em 2026. Dados recentes apontam uma forte retração no número de visitantes estrangeiros no primeiro bimestre do ano, frustrando expectativas e acendendo um sinal de alerta em um dos setores mais importantes para a economia e a geração de empregos no país.
Segundo informações divulgadas pela Embratur, nesta quinta-feira, 19, a queda chega a cerca de 43% em determinados recortes analisados, refletindo mudanças no perfil dos turistas e dificuldades em mercados estratégicos. Apesar de o Brasil ainda ter recebido cerca de 2,6 milhões de visitantes nos dois primeiros meses do ano, o volume ficou abaixo do registrado no mesmo período de 2025, impactado principalmente pela redução no fluxo de turistas de países vizinhos, como a Argentina .
Impacto econômico
A retração no turismo internacional tem efeito direto sobre a economia brasileira. O setor é responsável por movimentar bilhões de reais e sustentar cadeias produtivas que incluem hotelaria, transporte, comércio e serviços. A diminuição de visitantes estrangeiros significa menos entrada de dólares no país, o que pode pressionar ainda mais o câmbio e reduzir a atividade econômica em regiões altamente dependentes do turismo. Além disso, a queda evidencia uma vulnerabilidade estrutural: a dependência de poucos mercados emissores. A redução no número de turistas argentinos (historicamente os principais visitantes do Brasil) teve impacto significativo no resultado geral, especialmente devido à diminuição das viagens terrestres, que registraram forte retração .
Outro fator relevante é o cenário internacional, marcado por instabilidade econômica e mudanças no comportamento do consumidor global. Ainda que o país registre crescimento em mercados europeus e diversificação de origens, isso não tem sido suficiente para compensar as perdas em mercados tradicionais. O resultado é um início de ano abaixo das expectativas, que coloca em xeque a sustentabilidade do crescimento recente do turismo brasileiro e reforça a necessidade de estratégias mais robustas para manter o país competitivo no cenário global.