Governo de José Antonio Kast aposta em valas, muros e reforço militar em plano que pode se estender por até 500 km no norte do país
O Chile começou a erguer um “escudo fronteiriço” no deserto, com escavadeiras, valas profundas, e presença militar reforçada, para tentar frear a entrada de imigrantes irregulares. A medida, uma das principais promessas de campanha do Presidente José Antonio Kast, já começou a sair do papel com obras na região de Arica, próxima à fronteira com o Peru, e deve se expandir também para áreas limítrofes com a Bolívia.
O projeto prevê a construção de barreiras físicas como trincheiras, cercas e muros em pontos considerados críticos de travessia ilegal. Em alguns trechos, as valas podem chegar a cerca de três metros de profundidade, enquanto estruturas adicionais incluem torres de vigilância, drones e sensores para monitoramento constante. A iniciativa integra um plano mais amplo de controle migratório e segurança, com prazo inicial de cerca de 90 dias para apresentar resultados visíveis.
Plano de controle migratório
Além das obras, o governo chileno determinou o aumento da presença das Forças Armadas na região norte, e a adoção de medidas mais rígidas contra a imigração irregular. A estratégia responde ao aumento do fluxo migratório nos últimos anos (que já ultrapassou centenas de milhares de entradas irregulares), e à crescente preocupação com o avanço do crime organizado na região.
A iniciativa, no entanto, tem gerado críticas de entidades de direitos humanos, que alertam para possíveis violações no tratamento de migrantes, e pedem respeito a normas internacionais. Mesmo assim, o governo defende que o projeto é essencial para recuperar o controle das fronteiras, e conter crimes como tráfico de drogas e pessoas, consolidando uma política mais dura de segurança e imigração no país.