Ex-ministro sai do governo Lula após três anos marcados por Selic elevada, crescimento abaixo do esperado e deterioração fiscal
A saída de Fernando Haddad do Ministério da Fazenda, em 2026, encerra uma gestão que combinou avanços institucionais com resultados econômicos aquém das expectativas; e marcada por números que ajudam a explicar as críticas. Ao deixar o cargo para disputar o governo de São Paulo, Haddad encerra seu ciclo com juros em patamar elevado, crescimento irregular, e uma dívida pública em trajetória ascendente,ais anunciadas no início da gestão.
Durante os três anos à frente da economia, o Brasil registrou crescimento relevante apenas no início do período, com o PIB avançando cerca de 3,2% em 2023 e 3,4% em 2024. No entanto, o ritmo perdeu força em 2025, com desaceleração e projeções próximas de 2,2% a 2,3%, indicando um desempenho considerado fraco diante das expectativas iniciais. Ao mesmo tempo, a política monetária permaneceu restritiva: a taxa Selic chegou a cerca de 15% ao ano, o maior nível em quase duas décadas, impactando crédito, consumo e investimentos.
Crescimento baixo e contas no vermelho
Apesar da queda do desemprego e de alguma melhora na renda, o desempenho do PIB foi descrito como irregular ao longo do período, com perda de fôlego justamente quando o governo buscava consolidar a recuperação econômica. No campo fiscal, os resultados também ficaram abaixo das metas: o setor público ainda registrava déficit de cerca de 0,43% do PIB em 12 meses, evidenciando dificuldades para equilibrar receitas e despesas O principal ponto de pressão, no entanto, foi a dívida pública. O endividamento bruto do país atingiu cerca de 78,7% do PIB em 2025, equivalente a aproximadamente R$ 10 trilhões, em trajetória de alta ao longo do governo. Em termos nominais, a dívida federal também cresceu de forma expressiva, superando R$ 8,6 trilhões e avançando cerca de 18% em apenas um ano, impulsionada principalmente pelo custo elevado dos juros.
Ao deixar o Ministério da Fazenda para entrar na disputa eleitoral em São Paulo, Fernando Haddad encerra sua gestão com a aprovação de medidas importantes, como a reforma tributária e o novo arcabouço fiscal, mas sem conseguir transformar esses avanços em melhora consistente dos principais indicadores econômicos. O saldo final é de uma gestão que entregou mudanças estruturais no papel, mas que, na prática, conviveu com juros altos, crescimento limitado, e aumento do endividamento; fatores que alimentam as críticas e devem acompanhar o ex-ministro na corrida eleitoral.