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Redpill, incel e “manosfera”: entenda os termos ligados ao discurso de ódio contra mulheres

12/03/2026 14:32 Por Redação NTD

Expressões surgidas na internet ajudam a identificar comunidades que propagam misoginia e radicalização on-line

No vocabulário da internet contemporânea, algumas palavras aparentemente enigmáticas, como “redpill”, “incel” e “blackpill”, tornaram-se símbolos de um universo digital marcado por ressentimento e hostilidade contra mulheres. Originados em fóruns, redes sociais, e plataformas de vídeo, esses termos fazem parte de um conjunto de ideologias e comunidades virtuais que, segundo especialistas, ajudam a disseminar discursos misóginos, e a radicalizar jovens em diferentes países, inclusive no Brasil. 

Entre as expressões mais conhecidas está “redpill”, referência ao filme Matrix, em que o personagem precisa escolher entre permanecer na ilusão ou “acordar para a verdade”. Na internet, o termo passou a ser usado por grupos que afirmam ter “despertado” para uma suposta realidade em que os homens seriam prejudicados pelas mulheres e pelo feminismo. Esses conteúdos costumam defender visões conservadoras sobre relacionamentos e classificar mulheres de forma depreciativa. 

Comunidades e ideologias on-line

Outro termo frequente é “incel”, abreviação de involuntary celibate (celibatário involuntário). A expressão identifica homens que dizem não conseguir estabelecer relações amorosas ou sexuais e que atribuem essa frustração às mulheres ou à sociedade. Pesquisadores apontam que, em muitos casos, essas comunidades acabam reforçando ressentimento, misoginia, e outras formas de preconceito, além de promover a radicalização de seus participantes. 

Esses grupos costumam integrar um ecossistema digital conhecido como “manosfera” ou “machosfera”, formado por fóruns, blogs e canais onde circulam ideologias antifeministas e discursos de ódio contra mulheres. Dentro desse universo também aparecem termos como “blackpill”, visão ainda mais pessimista segundo a qual homens considerados pouco atraentes jamais teriam sucesso nos relacionamentos. Para especialistas, compreender esse vocabulário é fundamental para identificar e enfrentar a propagação de misoginia e extremismo nas redes sociais.