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Justiça por Orelha? Indignação ou faturamento digital?

11/03/2026 17:21 Por Elaine Ribeiro

Na era das opiniões instantâneas, cresce o risco de condenações precipitadas baseadas apenas no que se ouve, e não no que realmente aconteceu

Vivemos em um tempo marcado pela velocidade da informação e pelo crescimento de denúncias de maus-tratos. Em minutos, um vídeo viraliza, um comentário se espalha, e milhares formam opinião sobre um fato ainda pouco compreendido. Assim foi com “Orelha”, mais um caso que, em meio a relatos de zoofilia e zoosadismo, alimenta a chamada “Justiça por Orelha”, trazendo uma enxurrada de informações e condenações pela opinião pública diante do contexto grotesco de um crime bárbaro contra animais, nesta geração que muitas vezes coisifica a vida da fauna, da flora e dos animais como seres sencientes.

A indignação social pode ser legítima e necessária. Muitas conquistas nasceram da inconformidade diante de injustiças, como se espera também no caso do Cão Orelha. O problema surge quando a indignação substitui a apuração. Em vez de entender os fatos e criar políticas públicas de educação ambiental, proteção animal e prevenção, multiplicam-se projetos de lei que repetem soluções, produzem novos culpados, ampliam a superlotação prisional e pouco enfrentam a impunidade entre jovens de 16 a 18 anos.

Pressa em julgar ignora causas

Nesse cenário, a emoção coletiva passa a falar mais alto que a prudência legislativa, gerando respostas rápidas sem analisar as causas de crimes bárbaros impulsionados pelas redes sociais, como Telegram, Discord e grupos de WhatsApp, onde sessões de violência e tortura podem ser transmitidas a usuários cadastrados ou em listas de transmissão.

A Justiça, em sua essência, não é mero clamor social: exige tempo, investigação e responsabilidade. Instituições jurídicas trabalham com provas, versões e direito de defesa para evitar erros. No entanto, muitas vezes o processo se inverte: primeiro vem a condenação pública nas redes, depois — se vier — a tentativa de esclarecer os fatos. Esse comportamento pode gerar consequências graves, com reputações destruídas e estigmas baseados em versões incompletas. Por isso, antes de compartilhar uma acusação ou aderir à indignação coletiva, cabe a pergunta essencial: buscamos a “Justiça por Orelha” ou apenas ecoamos conteúdos que também alimentam o lucro bilionário das grandes empresas de tecnologia digital?

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