Molécula derivada da laminina avança para ensaios clínicos; estudos em laboratório e animais mostram potencial de regeneração neuronal, mas especialistas pedem cautela
A possibilidade de recuperar movimentos após uma lesão na medula espinhal, algo considerado improvável pela medicina durante décadas, voltou ao centro do debate científico. A polilaminina, molécula desenvolvida por pesquisadores brasileiros, surge como uma promessa para estimular a regeneração de neurônios e ajudar pacientes a recuperar funções motoras — mas especialistas alertam que ainda é cedo para falar em tratamento definitivo.
A substância foi criada a partir da laminina, proteína importante para o desenvolvimento e a recuperação do sistema nervoso. Em estudos laboratoriais e testes com animais, a polilaminina demonstrou capacidade de favorecer o crescimento de neurônios e reorganizar o ambiente celular após lesões, o que pode contribuir para a recuperação de movimentos. Após mais de duas décadas de pesquisas, o composto avançou agora para a etapa de ensaios clínicos em humanos.
Fase inicial foca em segurança
A primeira fase dos testes clínicos deve começar ainda este mês e contará inicialmente com um pequeno grupo de voluntários com lesão medular aguda. Nessa etapa, os pesquisadores avaliam principalmente a segurança do tratamento e possíveis efeitos adversos, embora também observem sinais preliminares de eficácia. Os participantes receberão a substância diretamente na região da medula afetada e serão acompanhados por meses para monitorar resultados.
Caso os resultados iniciais sejam positivos, o estudo seguirá para novas fases com um número maior de pacientes e comparação entre diferentes doses. O processo completo de testes pode levar cerca de dois anos e meio e dependerá da aprovação de órgãos reguladores e comitês de ética. Mesmo diante da expectativa gerada pela pesquisa, especialistas ressaltam que somente após todas as etapas será possível confirmar se a polilaminina é realmente eficaz e segura para uso médico.