Mesmo em patamar historicamente baixo, taxa registra alta do desemprego no início de 2026 e levanta preocupação sobre ritmo da economia
O ano mal começou e o mercado de trabalho já dá sinais de alerta. Depois de meses de estabilidade, a taxa de desemprego voltou a subir no trimestre encerrado em janeiro, interrompendo a sequência de boas notícias e reacendendo o temor de que a economia brasileira esteja perdendo fôlego bem mais cedo do que se imaginava.
Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a taxa de desocupação ficou em 5,4% no trimestre até janeiro. Embora o índice ainda esteja em nível historicamente baixo, houve avanço em relação ao trimestre anterior, movimento que costuma ocorrer no começo do ano, mas que, desta vez, levanta dúvidas sobre a capacidade de reação da economia diante de juros elevados e crescimento moderado.
Sinais de desaceleração
O aumento do desemprego ocorre mesmo com a renda média habitual atingindo R$ 3.652, o maior valor da série histórica. A aparente contradição, porém, não elimina a preocupação: especialistas apontam que a alta nos rendimentos pode não ser suficiente para sustentar o consumo caso o número de pessoas sem trabalho continue avançando nos próximos meses. A massa de renda total também cresceu na comparação anual, mas o ritmo pode desacelerar se o mercado perder dinamismo.
Apesar de a taxa ainda estar abaixo do registrado no mesmo período do ano passado, o início de 2026 traz um recado claro: o mercado de trabalho segue vulnerável. Com incertezas no cenário internacional e desafios internos, como crédito caro e investimentos contidos, o temor é que a elevação do desemprego no primeiro trimestre seja apenas o prenúncio de um ano mais difícil para trabalhadores e empresas.