Sedã mais luxuoso da Mercedes-Benz aposta em material reciclado e redefine o conceito de sofisticação no mercado premium
Couro sempre foi sinônimo de poder dentro de um carro de luxo. Mas no novo Classe S, a lógica virou do avesso: o tecido agora ocupa o trono — e custa mais caro. A decisão da Mercedes-Benz marca uma ruptura histórica no sedã que há mais de cinco décadas dita o que é luxo sobre quatro rodas. Pela primeira vez, o modelo oferece uma cabine sem couro legítimo como alternativa principal, substituindo o material tradicional por uma combinação de tecido Mirville (feito com linho e poliéster reciclado) e o sintético Artico. O detalhe que chama atenção? A escolha sustentável pesa mais no bolso do que o acabamento clássico em couro preto.
Disponível inicialmente na versão S350d vendida na Europa, a configuração com tecido exige a inclusão de um pacote adicional para os bancos traseiros com função memória. O resultado é um acréscimo de cerca de R$ 11 mil no preço final, enquanto o couro tradicional permanece sem custo extra. Ou seja, optar pela pegada ecológica virou também uma declaração financeira.
Luxo com nova assinatura
A estratégia não é apenas estética — é simbólica. Ao elevar o tecido reciclado ao patamar de item premium, a Mercedes-Benz transforma sustentabilidade em artigo de luxo, não de economia. A mensagem é clara: o futuro do requinte pode não estar na origem animal, mas na tecnologia e na responsabilidade ambiental. Em um segmento onde tradição pesa tanto quanto inovação, a mudança soa quase revolucionária.
Sob o capô, no entanto, o Classe S mantém a essência que o consagrou. O S350d traz motor diesel de seis cilindros com sistema híbrido leve, entregando 313 cv com suavidade e silêncio dignos da categoria. Somam-se a isso os sistemas avançados de assistência ao condutor e a central multimídia MBUX de última geração. Assim, enquanto o toque do banco muda, o padrão de excelência continua intacto — provando que, no universo do luxo, até o tecido pode vestir a coroa.