Estudo da CNI aponta perdas de até R$ 267,2 bi para comércio, indústria e serviços com fim da escala 6×1
Quando a ideia de encurtar a semana de trabalho de 44 para 40 horas — e eliminar a tradicional escala 6×1 — saiu dos gabinetes e virou cálculo financeiro, o debate deixou de ser abstrato e ganhou cifras: comércio, indústria e serviços podem enfrentar um aumento de custos que ultrapassa R$ 267,2 bilhões por ano, de acordo com estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Nos cálculos da entidade, esse impacto negativo ocorre se as empresas contratarem mais trabalhadores ou ajustarem salários para manter o atendimento e a produção, sem reduzir remuneração.
Setores como comércio e serviços seriam especialmente afetados, com custos adicionais significativos que, segundo especialistas ouvidos pela CNI, devem ser repassados aos preços ao consumidor — potencialmente resultando em inflação mais alta. A elevação dos custos com folha de pagamento poderia pressionar a margem de lucro das empresas, forçando ajustes operacionais e até cortes de vagas caso a produtividade não cresça para compensar a menor jornada.
Defensores destacam ganhos sociais
Ainda assim, o cenário não é unânime. Pesquisas acadêmicas indicam que uma jornada menor pode gerar efeitos positivos, como a criação de milhões de empregos e aumento da produtividade. Um estudo recente aponta que a redução para 36 horas semanais poderia resultar na abertura de até 4,5 milhões de vagas de trabalho e elevar os níveis de produtividade no país, contestando projeções pessimistas de perda econômica.
Esse contraste reflete a profundidade do debate nacional: defensores da mudança a veem como uma oportunidade de melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e ampliar o mercado de trabalho, enquanto representantes do setor produtivo alertam para custos e desafios de adaptação. Com propostas em tramitação no Congresso Nacional, a discussão segue como um dos temas centrais da agenda econômica e social do Brasil em 2026.