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Economia

Brasil ‘esbarra’ no relógio para ganhar empregos

27/02/2026 19:11 Por Redação NTD

Estudo da Unicamp aponta que reduzir a jornada para até 36 horas semanais pode criar novos postos de trabalho e impulsionar produtividade

Numa virada no debate sobre trabalho e produtividade no Brasil, pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas afirmam que uma redução da jornada de trabalho — que não muda há quase quatro décadas — pode não apenas aliviar o ritmo exaustivo de milhões de trabalhadores, mas também gerar novos empregos. Segundo o Dossiê 6×1, elaborado por especialistas do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit), a transição de 44 para 36 horas semanais criaria até 4,5 milhões de postos de trabalho e elevaria a produtividade em cerca de 4% no país.

O levantamento, que reúne 37 artigos de economistas, auditores e representantes sindicais, sustenta que o Brasil “está pronto para trabalhar menos” e que muitos trabalhadores já ultrapassam a jornada legal atual — com 21 milhões trabalhando além das 44 horas semanais previstas pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Na prática, a medida proposta poderia beneficiar diretamente até 76 milhões de trabalhadores se adotada a escala de quatro dias de trabalho e três de folga (4×3), ou cerca de 45 milhões no modelo mais moderado de 40 horas em cinco por dois (5×2). 

Impactos econômicos e sociais

Os autores destacam que a redução da jornada, além de criar empregos, pode melhorar a qualidade de vida e saúde dos trabalhadores, reduzindo afastamentos por doenças ligadas ao estresse e às condições de trabalho.  A pesquisa também rebate projeções pessimistas que afirmam que menos horas significariam queda no Produto Interno Bruto (PIB), argumentando que ajustes dinâmicos no mercado de trabalho e ganhos de produtividade mitigariam impactos negativos.  Paralelamente, o debate avança no Congresso Nacional, em meio a propostas que buscam modernizar a legislação trabalhista e acabar com a tradicional escala 6×1. 

Críticos da proposta alertam para possíveis custos adicionais para empresas, especialmente nos setores mais intensivos em mão-de-obra, e para efeitos desiguais entre regiões e segmentos produtivos. Ainda assim, o estudo da Unicamp coloca a redução da jornada como uma alternativa viável para enfrentar desafios de emprego e equilíbrio entre vida profissional e pessoal no Brasil.