Mulheres relatam exaustão, violência doméstica e se unem para cobrar políticas de acolhimento nas redes de educação e saúde
Entre o toque do sinal da escola e o apito dos monitores hospitalares, milhares de mulheres atravessam jornadas que não terminam no fim do expediente. Com a proximidade do Dia Internacional da Mulher, no próximo dia 8, professoras e técnicas de enfermagem revelam uma rotina marcada pelo acúmulo de responsabilidades, em que o trabalho formal se soma ao cuidado com a casa, filhos e familiares — um ciclo de exaustão silenciosa que impacta corpo e mente.
Em escolas e unidades de saúde de diferentes regiões do país, relatos apontam para jornadas extensas, plantões e falta de pessoal, fatores que ampliam o desgaste físico e emocional. “Saio da escola e vou direto para cuidar da casa e dos filhos; quando chega à noite, a exaustão é imensa”, descreve uma professora da rede pública. Psicólogas que acompanham essas profissionais observam aumento de ansiedade, depressão e distúrbios do sono, associados ao peso da dupla jornada e à sensação de não conseguir corresponder a todas as demandas.
Quando o lar também adoece
A sobrecarga não é o único desafio. Muitas entrevistadas relatam episódios de violência doméstica e dificuldades para buscar apoio. Apesar das garantias previstas na Lei Maria da Penha, a subnotificação e a ausência de protocolos claros em ambientes de trabalho ainda são obstáculos. A Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher destaca que medidas protetivas de urgência estão disponíveis, mas o medo, a dependência financeira e a pressão profissional frequentemente retardam denúncias.
Sindicatos e entidades de classe surgem como espaços de acolhimento e orientação jurídica e psicológica, embora a cobertura seja desigual entre municípios. Profissionais de saúde e educação defendem a ampliação de boas práticas, como acolhimento humanizado, integração entre serviços de saúde mental e assistência social (CRAS/CREAS) e capacitação para identificar sinais de violência entre colegas e estudantes. Neste 8 de março, as vozes dessas trabalhadoras reforçam que conquistas legais são essenciais, mas insuficientes sem políticas permanentes de proteção, acesso à saúde mental e medidas concretas para reduzir a sobrecarga; passos fundamentais para garantir dignidade, e igualdade dentro e fora do trabalho.