Quanto mais distante o futuro que imaginamos, mais imprecisas as projeções, diante da solidão e do sofrimento, adolescentes e pessoas acima de 60 anos têm mostrado sinais de desamparo a prevenção integral do corpo e da mente surge como o caminho mais seguro.
A capacidade de projetar o amanhã é inerente à condição humana, mas tanto a ciência quanto a experiência cotidiana mostram que quanto mais longe se estende esse horizonte temporal, mais incertas e frágeis se tornam as previsões. Hoje com rápidas transformações tecnológicas, econômicas e ambientais, a sensação de perda de controle alimenta ansiedade e insegurança.
Não é surpreendente, portanto, que camadas distintas da população, dos adolescentes em plena formação identitária aos idosos que enfrentam perdas e limitações relatem, com intensidade crescente, sentimentos de solidão, depressão e um desejo de encurtar a própria vida em casos extremos.
A solidão contemporânea não escolhe idade, jovens podem estar isolados apesar da hiperconectividade digital, enquanto muitas pessoas com mais de 60 anos enfrentam redes de apoio reduzidas e problemas de saúde crônicos. Esses contextos favorecem o surgimento de transtornos mentais e de comportamentos autodestrutivos, e tornam mais tênue a linha entre sofrimento transitório e risco de morte prematura.
Estudos e relatos clínicos apontam que a combinação de vulnerabilidade emocional, acesso restrito a serviços de saúde mental e estigmas culturais contribui para resultados adversos em ambos os grupos.
Quando a incerteza domina o pensamento sobre o futuro, conceitos como destino, sorte e acaso tendem a ocupar o espaço deixado pela previsibilidade. Essa deslocação pode ter efeitos ambíguos, para uns, o apelo ao destino funciona como estratégia de aceitação, para outros, favorece a resignação ou decisões de risco.
Em contextos de fragilidade psicológica, a crença em forças externas pode reduzir a busca por intervenções eficazes e postergar medidas preventivas que, se adotadas precocemente, aumentariam substancialmente as chances de um envelhecimento saudável e de uma adolescência mais protegida.
Diante desse cenário, o cuidado preventivo com corpo e mente assume papel central. A promoção de hábitos saudáveis: alimentação equilibrada, atividade física regular, sono reparador e acompanhamento médico periódico, alia-se ao investimento em saúde mental:
Diagnóstico precoce, terapia, análise, apoio psicossocial e programas comunitários de integração. Intervenções de baixo custo, como grupos de convivência, programas escolares de alfabetização emocional e iniciativas de promoção da saúde nas equipes de atenção primária, têm demonstrado impacto significativo na redução de sintomas depressivos e ansiosos.
A resposta não pode ser apenas individual; exige políticas públicas e arranjos comunitários que ampliem o acesso a serviços, reduzam o estigma e reforcem redes de apoio. Famílias, escolas, locais de trabalho e instituições para idosos devem ser mobilizados para identificar sinais de risco e oferecer suporte contínuo.
Investimentos em formação de profissionais, em estratégias de prevenção baseadas em evidências e em mecanismos de acolhimento são passos essenciais para diminuir a sensação de abandono que tanto aflige jovens e idosos.
Nenhum prognóstico sobre o futuro será totalmente preciso, e reconhecer essa limitação deveria nos estimular a fortalecer meios de proteção no presente. A prevenção integrada que cuida do corpo, reforça vínculos sociais e promove a saúde mental, é a alternativa mais segura para enfrentar a incerteza e prolongar vidas com qualidade.
Se você, ou alguém de sua convivência, apresenta pensamentos de morte ou risco iminente, procure ajuda profissional imediatamente; existe assistência qualificada, e buscar apoio é um ato de coragem e de cuidado para consigo e para com os outros.
Graça Duarte é jornalista, escritora, psicanalista e parapsicóloga. Atua nas áreas de assessoria de comunicação, gestão de tráfego, projetos, eventos, cursos e palestras; e escreve sobre bem-estar e saúde mental no Notícia Todo Dia.