Trajetória da bióloga da UFRJ, ganha destaque com o avanço da polilaminina, medicamento ainda experimental
O trabalho silencioso de laboratório que atravessou mais de duas décadas ganhou, de repente, projeção nacional e internacional. A bióloga Tatiana Coelho de Sampaio, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), tornou-se um dos nomes mais comentados da ciência brasileira ao liderar a pesquisa sobre a polilaminina, substância experimental que reacendeu a esperança de recuperação de movimentos em pessoas com lesões medulares. A repercussão cresceu após a divulgação de resultados promissores em 2025, que colocaram a cientista no centro do debate científico e nas redes sociais.
Ao longo de mais de 25 anos de carreira na UFRJ, a pesquisadora construiu uma trajetória acadêmica dedicada ao estudo da matriz extracelular e das proteínas que organizam os tecidos do corpo. Formada e doutorada na própria universidade, Tatiana também realizou estágios de pós-doutorado nos Estados Unidos e na Alemanha, consolidando uma linha de investigação que, desde os anos 1990, busca compreender o papel da laminina na regeneração do sistema nervoso.
Da laminina à polilaminina
A partir desse caminho científico surgiu a polilaminina, versão polimerizada da laminina produzida em laboratório e aplicada diretamente na área lesionada da medula espinhal. A substância atua como um “andaime biológico”, criando condições para a reconexão de neurônios e a reorganização dos circuitos nervosos, o que pode favorecer a recuperação de funções motoras. Resultados iniciais em estudos experimentais apontaram melhora de sensibilidade e movimentos em pacientes, considerados avanços relevantes na neurologia regenerativa.
Apesar do entusiasmo, especialistas reforçam que o tratamento ainda está em fase experimental e precisa avançar por etapas clínicas para comprovar segurança e eficácia em humanos. A própria pesquisadora destaca a necessidade de cautela diante da grande expectativa pública, enquanto a ciência segue seu ritmo de validação. Ainda assim, a trajetória de Tatiana Coelho de Sampaio simboliza o potencial da pesquisa brasileira, e projeta o país no debate global sobre terapias regenerativas para lesões medulares.