Escola celebra o protagonismo negro, reafirma hegemonia recente e vê Rosa de Ouro cair para o Grupo de Acesso
O céu do Anhembi voltou a se tingir de verde, vermelho e branco. Em uma apuração marcada por tensão e euforia, no fim de tarde desta terça-feira, 17, a Mocidade Alegre transformou emoção em consagração ao conquistar o título do Carnaval de São Paulo 2026, com um total de 269.8 pontos. A Gaviões da Fiel, vice-campeã, ficou com 269.7 pontos, e a Dragões da Real, terceira colocada, teve 269.6 pontos.
Com um desfile potente e carregado de significado, a escola da Zona Norte celebrou o legado da atriz Léa Garcia, e reafirmou a força do protagonismo negro na maior festa popular do país. O enredo dedicado à trajetória da artista, símbolo de resistência, talento e representatividade, deu oportunidade da agremiação construir uma narrativa que exaltou a ancestralidade e a presença negra nos palcos e na cultura brasileira. Alegorias grandiosas, fantasias luxuosas, e um samba-enredo vibrante embalaram o público no Sambódromo do Anhembi.
Hegemonia recente X queda inesperada
O resultado consolidou uma fase histórica da agremiação tricolor: é o terceiro título em quatro anos, repetindo os triunfos de 2023 e 2024, e confirmando a escola como a grande potência recente do Grupo Especial paulistano. Com mais este título, a Mocidade se aproxima da Vai-Vai, a recordista do Carnaval de São Paulo com 15 conquistas. Por outro lado, a apuração também reservou surpresa e frustração. Campeã em 2025, a tradicional Rosa de Ouro terminou apenas na 13ª colocação, ficando à frente somente da Águia de Ouro. O resultado surpreendeu torcedores e especialistas em Carnaval, e marca uma virada brusca para a escola, que agora disputará o campeonato do Grupo de Acesso em 2027.
A classificação final reforça como o Carnaval paulistano segue competitivo e imprevisível. Enquanto a Mocidade Alegre supera a Gaviões da Fiel por apenas um décimo, e consolida uma hegemonia recente ao unir excelência técnica e discurso potente sobre identidade e representatividade, outras tradicionais agremiações enfrentam o desafio de se reinventar para retornar ao protagonismo. No samba, a glória e o revés desfilam lado a lado, e a história se reescreve a cada ano.