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Economia

Carnaval além da folia: liderança pode transformar pico de vendas em fidelização

15/02/2026 18:55 Por Redação NTD

Especialistas apontam que preparação estratégica das equipes é decisiva para manter padrão de atendimento e proteger receita ao longo do ano

Confete no ar, ruas cheias e caixas registradoras em ritmo acelerado. O Carnaval não movimenta apenas blocos e escolas de samba — ele impulsiona cerca de R$ 9 bilhões na economia brasileira, segundo estimativa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo. Em meio ao volume intenso de consumidores, empresas vivem uma prova de fogo: manter a qualidade do atendimento sob pressão pode ser o fator que separa o lucro pontual da fidelização duradoura. 

Estudos da Fundação Getulio Vargas indicam que organizações com cultura estruturada e práticas consistentes de liderança conseguem reduzir a rotatividade em até 35% e aumentar a produtividade em torno de 30%. Já a Association for Talent Development aponta que companhias com programas formais de capacitação alcançam desempenho até 218% superior em indicadores internos. Para o especialista Alexandre Slivnik, professor convidado da FIA/USP, vice-presidente da Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento e diretor executivo do IBEX, instituto sediado em Orlando voltado à formação de líderes, datas festivas são mais do que picos comerciais — são testes reais da qualidade da gestão. 

Gestão sob pressão

Segundo Slivnik, períodos de alto consumo expõem tanto a força quanto as fragilidades da liderança. “Quando a liderança não se antecipa, a operação vira apenas execução sob pressão. E execução sem direcionamento compromete a experiência do cliente”, afirma. Para ele, o papel do líder é alinhar propósito, metas e comportamento antes do aumento da demanda. Cada colaborador precisa compreender claramente seu papel e o padrão de atendimento esperado, mesmo diante do fluxo intenso.

O especialista destaca cinco frentes essenciais para estruturar a liderança em datas festivas: alinhar propósito à operação; definir padrões claros de atendimento; simular cenários de pico; reconhecer desempenho em tempo real; e avaliar resultados após o período sazonal. Ele alerta que treinamento não deve ser visto como custo, mas como proteção de receita. “Se a liderança foca exclusivamente no faturamento, ignora que o cliente avalia a experiência completa. Quem improvisa absorve o volume, mas perde a chance de consolidar relacionamento. Quem lidera bem transforma movimento em crescimento sustentável”, conclui.