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“O preço da dignidade”: Atleta ucraniano desafia COI e é expulso da Olimpíada de Inverno

12/02/2026 17:13 Por Redação NTD

Vladyslav Heraskevych é afastado dos Jogos de Inverno por usar capacete com imagens de compatriotas mortos na guerra

No gelo de Cortina d’Ampezzo, a pista onde sonhos olímpicos deviam correr livres e sem fronteiras tornou-se palco de uma das mais emotivas e controversas histórias dos Jogos de Inverno de 2026. O skeleton, esporte radical de descida cabeça à frente, acabou ofuscado por um símbolo: o capacete do ucraniano Vladyslav Heraskevych, decorado com retratos de atletas e treinadores ucranianos mortos desde o início da invasão russa em 2022. Em vez de competir, ele foi desclassificado poucas horas antes de sua prova, após o Comitê Olímpico Internacional (COI) entender que o acessório violava regras que proíbem mensagens políticas durante as competições. 

Heraskevych, de 27 anos, um dos destaques do skeleton e porta-bandeira da delegação ucraniana, recebeu da organização olímpica a oferta de usar uma braçadeira preta em vez do capacete, como uma alternativa para homenagear os mortos fora da pista, mas recusou a oferta, afirmando que sua lembrança precisava ser visível no momento exato em que ele entrasse na competição. 

Memória X neutralidade 

O COI insistiu que sua decisão se baseou na necessidade de manter a “neutralidade política” dos Jogos, conforme à regra 50 da Carta Olímpica, que proíbe demonstrações de natureza política ou ideológica em competições oficiais.  Para Heraskevych, porém, a homenagem não era política, mas um tributo às vidas de quem partiu, muitos deles amigos próximos ou colegas de equipe; um gesto que ele qualificou como “o preço da nossa dignidade”. 

A decisão desencadeou uma onda de críticas, principalmente da Comissão Olímpica da Ucrânia, e de autoridades ucranianas, que acusaram o COI de quebrar o espírito da Olimpíada ao impedir uma lembrança humana e coletiva.  Enquanto Heraskevych planeja recorrer da desclassificação, a polêmica acende um debate mais amplo sobre os limites entre expressão pessoal e regras de neutralidade em um evento que, na prática, nunca esteve completamente fora da política.