Esquema suspeito de lavar dinheiro através de venda de eletrônicos usava “laranjas” ligados ao PCC para ocultar patrimônio
No início da manhã desta quinta-feira, 12, ruas de São Paulo e de Santa Catarina viraram palco de uma grande operação policial que parece saída de um roteiro de suspense financeiro: agentes do Ministério Público de São Paulo (MPSP), da Polícia Civil e da Secretaria da Fazenda estão às voltas com uma organização criminosa de origem chinesa suspeita de movimentar cerca de R$ 1,1 bilhão por meio da venda de produtos eletrônicos e posterior lavagem de dinheiro.
Investigadores afirmam que o grupo utilizava um intrincado sistema de desvio e ocultação de receitas, aproveitando estruturas formais de empresas de distribuição para dar aparência legal às transações. Parte da estratégia teria sido a inclusão de pessoas ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC) como sócios de fachada ou beneficiários de imóveis de alto valor, uma prática que buscava blindar os reais responsáveis e seus bens.
Alvos e Ações
Na operação, foram cumpridos 20 mandados de busca e apreensão e três de prisão, com alvos localizados em São Paulo e em Santa Catarina. A ação faz parte de uma ofensiva mais ampla das autoridades contra esquemas sofisticados de lavagem e ocultação de patrimônio que exploram o comércio eletrônico como fachada para movimentar grandes somas sem a devida fiscalização.
Segundo os delegados envolvidos, o combate a esse tipo de organização requer não apenas a atuação das forças de segurança, mas também o aperfeiçoamento de mecanismos de rastreamento financeiro e cooperação entre órgãos, diante da criatividade dos criminosos em misturar negócios legítimos e ilícitos para dificultar a investigação.