Quase metade da população quer poupar, porém endividamento recorde e orçamento apertado tornam o desafio maior do que a intenção
O cofrinho virou símbolo de prudência em um país acostumado a apagar incêndios financeiros. Para 44% dos brasileiros, guardar dinheiro é a principal meta para 2026, segundo pesquisa do Datafolha. O desejo de poupar cresce em meio a um cenário contraditório: mais de 80 milhões de pessoas estão endividadas, de acordo com a Serasa, que registra cerca de 321 milhões de dívidas ativas e um rombo que soma R$ 509 bilhões. A fotografia é clara — há vontade de economizar, mas o peso do passado financeiro ainda pressiona o presente.
Na prática, transformar a meta em realidade tem sido um desafio. Último levantamento da Serasa, divulgado em dezembro de 2025, mostra que os brasileiros gastaram mais na primeira metade do ano passado do que no mesmo período de 2024. O dado escancara o conflito entre intenção e comportamento: renda apertada, crédito caro e consumo elevado reduzem a margem para poupança, mesmo entre quem reconhece a importância de guardar dinheiro.
Organização antes da poupança
“Guardar dinheiro reflete menos otimismo e mais cautela”, avalia Claudiner Sanches Junior, assessor de investimentos da WFlow. Segundo ele, muitas famílias tentam se reorganizar após longos períodos de aperto, mas convivem com parcelas acumuladas, juros elevados e pouco fôlego no orçamento mensal. Para que a intenção vire ação, o primeiro passo é a organização financeira, com mapeamento de todas as dívidas, prazos e, principalmente, taxas de juros.
O especialista destaca que dívidas mais caras, como cartão de crédito e cheque especial, devem ser priorizadas. “Poupar e pagar dívidas não são metas opostas. Quando feitas com método, caminham juntas e ajudam a quebrar o ciclo do endividamento”, afirma. Mesmo com inflação mais controlada, o custo de vida segue alto em itens essenciais como alimentação, moradia e serviços, o que limita a capacidade de poupar. Nesse contexto, planejamento e criação de hábitos financeiros se tornam tão importantes quanto o desejo de economizar e viabilizar projetos futuros. Claudiner integra a WFlow, empresa que atua nos segmentos de Alta Renda, Private e Pessoa Jurídica.