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“Capacete da Memória” proibido: Polêmica marca o início dos Jogos Olímpicos de Inverno para a Ucrânia

10/02/2026 16:30 Por Redação NTD

Decisão do COI de vetar acessório de atleta ucraniano reacende debate sobre política, luto e regras olímpicas em Milão-Cortina 2026

No gelo das pistas de Milão-Cortina, não foram apenas os esquis e trenós que chamaram atenção na estreia dos Jogos Olímpicos de Inverno. O atleta ucraniano de skeleton Vladyslav Heraskevych, de 27 anos e porta-bandeira de seu país, apareceu nos treinos com um capacete decorado com imagens de esportistas ucranianos mortos na guerra com a Rússia, um gesto de homenagem que acabou sendo proibido pelo Comitê Olímpico Internacional (COI). Segundo o órgão, o acessório violaria o artigo 50 da Carta Olímpica, que proíbe manifestações políticas nas áreas de competição, mesmo quando envolve lembranças pessoais e homenagens. 

Heraskevych defendeu que seu “capacete da memória” não tinha intenção política, mas sim o de manter viva a lembrança de amigos e colegas que perderam a vida no conflito. Entre eles estão nomes como o patinador artístico Dmytro Sharpar e o biatleta Yevhen Malyshev, dois dos muitos atletas ucranianos que morreram desde a invasão russa em 2022. O esquiador já havia chamado atenção no último ciclo olímpico ao erguer um cartaz com a frase “Não à guerra na Ucrânia” nos Jogos de Pequim.  

Protesto e regras

Ao anunciar a proibição, o COI afirmou que permitir um capacete com imagens associadas à guerra poderia ser interpretado como um gesto político, contrariando o compromisso de neutralidade dos Jogos. Como alternativa, a entidade autorizou Heraskevych a usar uma braçadeira preta sem qualquer texto como símbolo de luto, proposta que ele recebeu com reservas. A decisão gerou reações intensas, com líderes ucranianos criticando a posição e classificando-a como um “erro profundo” pela falta de sensibilidade diante da tragédia vivida no país. 

O caso acendeu um debate maior no ambiente olímpico sobre os limites entre expressão pessoal e manifestação política. Enquanto o COI busca reforçar seu compromisso de manter os esportes separados de conflitos internacionais, muitos argumentam que lembrar atletas que perderam suas vidas vai além da política, e toca no respeito humano básico. Com a prova de skeleton marcada para os próximos dias, a controvérsia promete acompanhar Heraskevych na pista e fora dela.