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Bad Bunny no Super Bowl: espetáculo histórico provoca Trump e divide os EUA

09/02/2026 13:03 Por Redação NTD

Performance em espanhol no intervalo da final da NFL transforma música e identidade cultural em debate político

No Levi’s Stadium, na Califórnia, o reggaeton tomou conta do maior palco da televisão norte-americana: Bad Bunny, vencedor do Grammy e um dos artistas mais ouvidos do mundo, fez do intervalo do Super Bowl LX uma celebração vibrante da cultura latina e da diversidade, cantando quase todo o repertório em espanhol e incorporando símbolos de união no centro de um evento tradicionalmente visto como rito cultural nos Estados Unidos. O porto-riquenho encerrou sua apresentação com a frase “Juntos, somos a América” exibida em uma bola de futebol americano, e deixou no ar uma mensagem de amor e inclusão que ultrapassou as quatro linhas do gramado. Apesar da atmosfera de festa, e da ampla audiência global, a reação política foi imediata e polarizada.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que não compareceu ao jogo, e realizou uma festa de exibição na Flórida, publicou uma série de críticas nas redes sociais descrevendo o show como “absolutamente terrível” e “um dos piores de todos os tempos”, alegando que grande parte do público não conseguiria entender as músicas em espanhol e que a performance teria sido “uma afronta à grandeza da América”. Trump também questionou elementos da coreografia e o conteúdo cultural exibido durante o espetáculo, reforçando tensões já existentes em torno de identidade e língua na cultura popular americana.

Salada cultural

O espetáculo de Bad Bunny, que contou com participações de nomes como Lady Gaga e Ricky Martin, foi amplamente transmitido pela NBC e outras plataformas, combinando ritmos de reggaeton, trap latino, e mensagens de celebração das raízes caribenhas, o que o tornou o primeiro show de intervalo quase inteiro em espanhol na história do Super Bowl.  Enquanto isso, um evento paralelo organizado por grupos conservadores, o “All-American Halftime Show”, com Kid Rock, atraiu milhões de espectadores online como alternativa cultural e política ao espetáculo oficial. 

A recepção pública, por sua vez, espelha uma América dividida: para muitos jovens e comunidades latinas, a performance foi um momento de afirmação e orgulho cultural; para outros, como ilustram as críticas mais duras vindas de setores políticos, ela simboliza uma mudança que desafia percepções tradicionais do que é “representativo” em um dos eventos televisivos mais vistos do planeta.