Com produção limitada do SUV mais desejado, japonesa pede que concessionárias impulsionem modelos menos populares e tenta conter preços abusivos
Era para ser mais um ano de festa para a Toyota, mas o tapete vermelho para o seu SUV estrela ficou curto demais — e os revendedores sentem isso na pele. Com a escassez do RAV4, carro mais vendido da marca em muitos mercados, a japonesa está orientando suas concessionárias a direcionar clientes para outros modelos do portfólio enquanto tenta equilibrar produção, demanda e imagem da marca.
A falta de unidades do SUV nas lojas aconteceu porque a produção do novo RAV4 2026 foi impactada em suas principais fábricas nos Estados Unidos, Canadá e Japão, criando um buraco no estoque que tem afetado as vendas desde o fim de 2025. Enquanto isso, revendedores começaram a cobrar valores acima da tabela para quem ainda tenta comprar um RAV4 — prática que irrita consumidores e analistas e pode manchar a reputação de confiabilidade da marca.
Trocar de pista
Executivos da Toyota na América do Norte pediram aos concessionários “criatividade” para compensar o rombo nas vendas, incentivando a promoção de modelos como o Crown, o Crown Signia, carros elétricos da linha BZ e o novo C-HR+ — veículos que normalmente não figuram no radar principal dos compradores. A ideia é ampliar as alternativas à clientela diante da falta do SUV, mas também ajuda a impulsionar segmentos menos expressivos nas vendas anuais.
Mesmo com os estoques mais enxutos, a Toyota e sua divisão Lexus fecharam 2025 com crescimento em vendas, e a montadora espera manter esse ritmo em 2026. A missão agora é conseguir equilibrar a forte demanda pelo RAV4 com a oferta de outros produtos, além de reduzir práticas de preços abusivos para não perder clientes em um mercado já sensível a custos e tributos.