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Análise psicológica expõe padrão de violência no assassinato do cão Orelha em Santa Catarina

30/01/2026 10:48 Por Elaine Ribeiro

Psicóloga alerta para distorção de valores, influência do grupo e mecanismos mentais que teriam facilitado a crueldade praticada por jovens

Orelha não tinha tutor fixo, mas era reconhecido como parte da comunidade. Presença mansa nas ruas da Praia Brava, bairro no norte de Florianópolis, Santa Catarina, o cão comunitário se tornou símbolo de afeto coletivo até ser brutalmente morto, em um crime que causou revolta e mobilização social. Mais do que a comoção, o caso passou a ser analisado como um alerta sobre comportamentos violentos entre jovens, e os riscos da banalização da crueldade.

A Polícia Civil instaurou inquérito para investigar o assassinato e identificar todos os envolvidos. As apurações apontam para a participação de jovens, com identidades preservadas, e incluem depoimentos, imagens e laudos técnicos. Segundo os investigadores, os suspeitos teriam deixado a cidade após o crime, o que levou à intensificação das buscas e à cooperação com forças de segurança de outras regiões.

Violência, grupo e mente

Em análise contundente, a psicóloga Alice Araujo afirma que o episódio vai além de um ato isolado. “O caso dos adolescentes que espancaram o cão Orelha não fala apenas de crueldade. Ele revela algo mais profundo e preocupante: o poder do grupo quando valores morais se dissolvem”, explica. Segundo ela, a violência raramente surge de forma espontânea e pode estar ligada à dessensibilização progressiva diante do sofrimento alheio, especialmente quando o alvo é vulnerável.

A psicóloga destaca ainda a contribuição da Terapia Cognitivo-Comportamental para compreender a conduta dos assassinos. “Pensamentos distorcidos como ‘é só uma brincadeira’, ‘ninguém vai saber’ ou ‘todo mundo está fazendo’ reduzem a empatia, inibem a culpa e facilitam comportamentos cruéis. Quando essas ideias são reforçadas pelo grupo, o senso de responsabilidade individual se dilui; ninguém se sente totalmente responsável, mas todos participam”, afirma. Para a comunidade e entidades de proteção animal, a análise reforça a urgência de ações preventivas, educação emocional e responsabilização, para que a morte de Orelha não se repita nem seja esquecida. Silêncio não é neutralidade. Proteger os vulneráveis também é responsabilidade coletiva. Notificações contra crueldade animal devem ser encaminhadas para o telefone de emergência 181, Disque Denúncia.

 

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