Notícia Todo Dia NTD
Mundo

Maioria dos países europeus não deve aderir ao “conselho de paz” de trump, afirma Primeiro-Ministro grego

23/01/2026 15:33 Por Redação NTD

Em  entrevista à TV francesa, o Chefe de Estado critica a iniciativa lançada em Davos e ressalta divergências entre Europa, Estados Unidos e ONU

Em uma manhã gelada em Estrasburgo, nesta sexta-feira, 24, Kyriakos Mitsotakis surpreendeu com uma análise franca que atravessou os tradicionais discursos diplomáticos. O Primeiro-Ministro da Grécia afirmou à Euronews que a maioria dos países europeus não pode aderir ao recém anunciado “Conselho de Paz” proposto pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, uma iniciativa que, segundo ele, vai muito além do mandato do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e levanta dúvidas sobre autoridade e legitimidade internacional. 

O plano de Trump, lançado formalmente no fórum económico mundial em Davos, prometia ampliar um plano de cessar-fogo em Gaza aprovado pela ONU, mas acabou por ganhar dimensões que muitos aliados europeus consideram problemáticas. O projeto tem sido visto como uma estrutura paralela às instituições multilaterais tradicionais, conferindo ao governo dos Estados Unidos um papel desproporcional e convidando até a Rússia a participar, uma medida que gerou hesitação ou recusa entre países como Noruega, Suécia e França. 

Choque nas relações transatlânticas

Mitsotakis mencionou que, apesar dos norte-americanos terem um papel importante na reconstrução de Gaza, a iniciativa deveria se concentrar apenas naquela região, e por um tempo limitado, não se expandindo para além de seu escopo original nem substituindo mecanismos já existentes. Menos de 20 países (muito abaixo das quase 35 esperadas) aderiram durante a cerimônia de assinatura em Davos, com Hungria e Bulgária sendo os únicos europeus a participar até agora. 

A conversa também tocou em questões mais amplas nas relações transatlânticas, incluindo tensões recentes sobre a Gronelândia. Mitsotakis disse estar “aliviado” após Trump recuar na ameaça de tomar o controle do território ártico, optando por um acordo de segurança mediado pela OTAN. Ele concluiu destacando que a União Europeia precisa defender seus interesses de forma mais assertiva em um cenário global em transformação.