Polícia Civil de São Paulo encerra esquema que usava endereço nobre para aplicar fraudes contra vítimas principalmente idosas
Em pleno coração financeiro de São Paulo, um escritório elegante na Avenida Brigadeiro Faria Lima se tornou palco de um dos golpes mais ousados do início de 2026: uma “central de fraudes” que atuava disfarçada de empresa legítima e enganou pessoas, em sua maioria idosos, cobrando dívidas falsas com ameaças de ordens judiciais e bloqueios de CPF. A escolha do endereço, segundo a polícia, tinha justamente o objetivo de conferir credibilidade à armadilha.
Na operação batizada de Título Sombrio, agentes da 4ª Delegacia da DCCIBER (Departamento de Investigações Sobre Lavagem e Ocultação de Ativos Ilícitos por Meios Eletrônicos) cumpriram mandados no prédio e também em uma base da quadrilha em Carapicuíba, na Grande São Paulo. No total, 12 suspeitos foram detidos e levados para a delegacia para apuração de envolvimento no esquema criminoso.
Estratégia de engano
Segundo o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), os criminosos utilizaram dados obtidos de forma ilícita para abordar as vítimas, alegando que elas deviam valores e que, caso não quitassem imediatamente, poderiam sofrer protestos, penhoras ou bloqueios de benefícios. Para isso, enviavam mensagens com ordens judiciais falsas e avisos de CPF bloqueado, antes de direcionar as pessoas ao atendimento telefônico onde a fraude era consolidada.
A investigação também revelou que a quadrilha estruturou uma rede de empresas interligadas — algumas registradas em nome de laranjas — com sócios, endereços e dados operacionais compartilhados para facilitar as atividades fraudulentas. As autoridades continuam analisando documentos apreendidos e a atuação do grupo pode levar à identificação de outros envolvidos.